Veja o resumo da noticia

  • Estreia do PicPay na bolsa dos Estados Unidos, marcando o primeiro IPO brasileiro desde 2021, com negociação na Nasdaq sob o código PICS.
  • Oferta pública inicial pode alcançar US$ 434,3 milhões, com a venda de aproximadamente 22,9 milhões de ações precificadas a US$ 19 cada.
  • Avaliação de mercado da fintech estimada entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,6 bilhões, com a J&F Investimentos como principal acionista.
  • Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets coordenam a oferta, enquanto Bicycle Capital demonstra interesse em adquirir ações.
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O PicPay estreia nesta quinta-feira (29) na bolsa dos Estados Unidos e se torna a primeira empresa brasileira a realizar um IPO desde 2021.

O banco digital passa a negociar ações na Nasdaq, sob o código PICS. A oferta pública inicial pode movimentar até US$ 434,3 milhões, com a venda de cerca de 22,9 milhões de ações.

Cada papel foi precificado a US$ 19, no topo da faixa indicativa, que variava entre US$ 16 e US$ 19. Com essa estrutura, a fintech pode alcançar uma avaliação de mercado entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,6 bilhões, segundo estimativas de mercado.

Fundado em 2012, o PicPay tem como principal acionista a J&F Investimentos, holding controlada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista. A empresa planejava abrir capital desde 2021, mas adiou a operação diante das condições do mercado global.

Na operação, Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets atuam como coordenadores globais da oferta. Já a Bicycle Capital, gestora focada em empresas de crescimento na América Latina, lidera a operação e sinalizou interesse em adquirir até US$ 75 milhões em ações.

As intenções de compra, porém, não representam compromisso definitivo. Dessa forma, os volumes podem ser ajustados conforme a demanda ao longo do processo de distribuição dos papéis.

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o IPO chama atenção em meio a debates sobre o papel dos Estados Unidos na economia mundial, como questionamentos sobre o dólar, interferências políticas e incertezas macroeconômicas.

Apesar desse cenário, o estrategista destaca que empresas brasileiras continuam buscando o mercado americano para abrir capital. O principal motivo é a liquidez, já que se trata do maior e mais profundo mercado financeiro do mundo.

Além disso, os valuations costumam ser mais elevados e há acesso direto a uma base ampla de investidores institucionais e internacionais.

Castro Alves reforça que, mesmo com os receios recentes, o interesse global pelo mercado americano segue forte. Nos últimos três anos, por exemplo, investidores europeus aumentaram em 91% as compras de ações negociadas nos Estados Unidos, incluindo papéis de empresas estrangeiras listadas no país. Países como Alemanha, França, Holanda, Dinamarca e Finlândia concentram hoje cerca de metade dos investimentos estrangeiros alocados nesse mercado.

Outro dado citado pelo estrategista mostra a dimensão dessa dominância. Desde 2020, os Estados Unidos receberam cerca de US$ 1,6 trilhão em fluxos líquidos para ações, enquanto o restante do mundo atraiu aproximadamente US$ 400 bilhões no mesmo período.

Nesse contexto, o IPO do PicPay reforça a atratividade do mercado americano como porta de entrada para investidores globais. Para Castro Alves, a listagem também funciona como um selo de qualidade, já que exige alto nível de governança. O interesse estrangeiro pela fintech indica que ainda há apetite por empresas latino-americanas de tecnologia, com escala, inovação e crescimento acelerado.