
O Tesouro Direto entra em 2026 com uma mudança estrutural: resgates e aplicações 24 horas por dia, todos os dias da semana, por meio do Pix. A novidade, prevista para estrear em janeiro, promete eliminar a principal fricção do programa — o horário limitado para resgates — e ampliar a concorrência com as “caixinhas” dos bancos e a caderneta de poupança.
Tesouro Direto 24 horas: o que muda na prática
Hoje, para receber no mesmo dia, o investidor precisa solicitar o resgate em janela curta e apenas em dias úteis. Com a integração ao Pix, o Tesouro Direto 24/7 passa a permitir liquidez imediata, inclusive madrugadas, fins de semana e feriados. O dinheiro cai na conta no ato.
A operação não valerá para todos os títulos. A estreia será com um novo papel, desenhado especificamente para liquidez contínua.
Novo título do Tesouro Direto: foco em reserva de emergência
O título inaugural tem nome provisório de “Poupança de Emergência”. Ele nasce para disputar o espaço da poupança e das caixinhas bancárias, oferecendo saque a qualquer momento sem as oscilações de preço típicas de prefixados e IPCA+.
Na prática, será um “par” do Tesouro Selic, atrelado à taxa básica definida pelo Banco Central. A diferença central: o Tesouro garante valorização diária do saldo, independentemente da volatilidade de mercado.
Selic no centro do rendimento: sem sustos no saldo
O mundo dos títulos públicos funciona por venda a mercado, o que explica restrições de horário e variações de preço. No novo título, isso muda: o saldo sobe todos os dias, sempre referenciado na Selic.
Se a remuneração for, por exemplo, 100% da Selic (hoje em 15% ao ano), isso equivale a cerca de 0,0006% ao dia — algo como R$ 5,59 por dia (antes de impostos) para cada R$ 10 mil. O percentual final ainda não foi confirmado e tende a ficar abaixo do Tesouro Selic tradicional, para evitar canibalização.
Por que prefixados e IPCA+ ficam de fora do 24/7
Títulos prefixados e IPCA+ oscilam mais. Em dias de notícias que alteram expectativas de juros — eleições, por exemplo — os preços podem cair vários pontos percentuais de um pregão para o outro. Isso inviabiliza saques em fins de semana sem risco financeiro para o Tesouro. Para reserva de emergência, a lógica é clara: produtos que sigam Selic/CDI.
Tesouro Direto x Poupança: a disputa pelo dinheiro do dia a dia
A poupança ainda é a aplicação mais popular, com 32 milhões de pessoas, contra 3,3 milhões no Tesouro Direto. Mas o rendimento explica a mudança de rota: em 2025, a poupança rendeu 8% líquidos, enquanto o Tesouro Selic entregou 12% líquidos (já com IR). Além disso, a poupança só rende no “aniversário”; sacar antes zera o ganho do período.
O tema ganhou força com críticas públicas do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que classificou a caderneta como um “Robin Hood às avessas”.
Poupança perde espaço, mostram os dados
Apesar da popularidade, a preferência pela poupança cai. De acordo com a Anbima, a fatia recuou seis pontos percentuais na última pesquisa. Desde 2021, a caderneta acumula resgates líquidos de R$ 272,7 bilhões no financiamento imobiliário (SFH), de acordo com a Abecip.
Menor investimento mínimo e teto maior de aportes
O Tesouro Direto também ajustou as portas de entrada. Desde novembro, não há mínimo fixo de R$ 30: vale 1% do valor unitário de cada título.
Em suma, o Tesouro Selic, que exigia mais capital inicial, deve ter entrada menor no novo papel 24/7. Do outro lado, o teto mensal dobrou: agora dá para investir até R$ 2 milhões a cada 30 dias.