Tchau, Agosto

Resumo da semana: expectativa por cortes nos juros deu o tom

A última semana de agosto foi marcada por diversos pontos de relevância para o mercado financeiro e a economia mundial, mas todos atravessados pela mesma expectativa

Foto: Pixabay
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A última semana de Agosto foi marcada por diversos pontos de relevância para o mercado financeiro e a economia mundial, mas todos atravessados por uma expectativa: a de queda nos juros dos EUA e do Brasil.

O discurso de Jerome Powell no Jackson Hole, na sexta-feira (22) da semana passada, deixou a porta aberta para uma possível queda dos juros dos EUA e os investidores brasileiros esperam que isso possa ser replicado no nosso país.

Na segunda-feira (25), o Boletim Focus deu um “gostinho” de que isso é possível. A projeção do mercado para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2025 foi reduzida de 4,95% para 4,86%. Esse fato, aliado ao impacto ainda presente do discurso de Powell, fez com que o dólar fechasse o dia em queda.

No Ibovespa, a GPA (PCAR3) se destacou como maior alta do dia, graças à convocação de AGE solicitada pela família Coelho Diniz a fim de aumentar a participação no Conselho de Administração do grupo.

O IPCA-15, um dos dados mais aguardados da semana, foi divulgado na terça-feira (26) e, de fato, mostrou uma deflação de 0,14% no mês de agosto. O resultado, contudo, não veio alinhado à estimativa do mercado, que esperava 0,19% de recuo, e isso favoreceu para que o Ibovespa fechasse as portas em queda.

Nos EUA, a tentativa de Donald Trump de demitir uma diretora do Fed causou alvoroço durante o dia, com o retorno das discussões sobre a perda de independência do maior banco central do mundo. Ainda assim, as bolsas de Nova York se mantiveram estáveis e a decepção com o IPCA-15 parece ter sido maior, fazendo com que o dólar terminasse o dia em alta.

O balanço do segundo trimestre da Nvidia, divulgado na quarta-feira (27), acabou ofuscando um pouco o tema protagonista da semana. A expectativa para os dados levou volatilidade para as bolsas mundiais e, após a publicação, derrubou as ações da empresa de tecnologia. Apesar dos resultados robustos, um fato chamou a atenção: a não venda de chips H20 para a China, ressaltando o imbróglio comercial entre os EUA e o gigante asiático e, por consequência, fazendo com que os investidores ficassem mais cautelosos.

Durante o dia, o Ministério do Trabalho e Emprego Divulgou o Novo Caged mostrou que o Brasil gerou quase 130 mil empregos de carteira assinada no mês de julho, uma desaceleração no mercado de trabalho e um aceno para a esperança de que a inflação esteja arrefecendo. A perspectiva de que, com isso, o BC (Banco Central) antecipe o corte nos juros proporcionou o aumento no apetite por risco e, consequentemente, o Ibovespa fechou em queda.

Na quinta-feira (28) um outro assunto ganhou destaque no noticiário nacional sobre economia e mercado financeiro: a Operação Carbono Oculto. A investigação da PF (Polícia Federal) cumpre mandados de busca e apreensão e de prisão em investigação sobre a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal, envolvendo, inclusive, membros da Faria Lima. Segundo as investigações, foram identificadas irregularidades em várias etapas do processo de produção e distribuição de combustíveis no Brasil. Uma das empresas citadas na investigação foi a Reag (REAG3), que viu seus papéis derreterem mais de 17%.

Ainda assim, o Ibovespa teve uma alta forte, graças aos sinais do rally eleitoral de 2026. Durante a manhã, o índice  renovou o recorde de máxima intradiária e atingiu os 142.027,63 pontos, com avanço de 2,03%, após a pesquisa LatAm Pulse, realizada pela AtlasIntel a pedido da Bloomberg News e divulgada nesta manhã, afirmar que o atual presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT) ficaria atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, em um eventual segundo turno na corrida presidencial.

Nesta sexta-feira (29) a expectativa no Brasil é pela divulgação dos dados da Dívida Pública Líquida e Bruta sobre o PIB. Nos EUA, será o núcleo de Índice de Preços PCE, tanto mensal quanto anual. Além disso, serão anunciadas as expectativas inflacionárias dos EUA, o que reacende a chama da expectativa por cortes nos juros de ambos os países.