
A lista de credores do Grupo Fictor, que soma R$ 4,2 bilhões em dívidas, reúne desde grandes instituições financeiras até empresas ligadas a investigações recentes. Entre os destaques está a Sefer Investimentos, gestora alvo da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude no Banco Master.
Além disso, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial no último domingo (1º), após o bloqueio judicial de R$ 150 milhões. A relação de credores é liderada pela American Express Brasil, com R$ 893 milhões a receber. Em seguida, aparece a Sefer Investimentos, com crédito estimado em R$ 430 milhões.
Sefer é a segunda maior credora
A Sefer tem sede na Faria Lima e foi alvo da segunda fase da Compliance Zero, deflagrada em janeiro. Anteriormente, em novembro de 2025, a primeira etapa da operação levou à prisão de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master.
A petição não traz informações que descrevam qual a relação contratual, comercial ou financeira com a Fictor. O ex-diretor da Sefer Investimentos, Benjamim Botelho de Almeida, também está entre os investigados pela fraudes do Banco Master
Enquanto isso, o terceiro maior credor é o ex-sócio Luiz Philipee Gomes Rubini, com R$ 34,4 milhões a receber. Já o Grupo Fictor também deve R$ 2,6 milhões ao Palmeiras, clube patrocinado pela empresa desde março de 2025.
O caso reforça a conexão entre credores relevantes, o Banco Master e empresas investigadas, ampliando a atenção do mercado e das autoridades sobre os desdobramentos financeiros e judiciais do grupo.
“Crise não é simples nem passageira”, diz analista sobre Fictor
O Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial. Segundo especialistas, o movimento representa estratégia defensiva clara.
“O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor é, antes de tudo, um movimento defensivo”, afirma Júlio Moretti, fundador da NEOT, plataforma especializada em processos de insolvência.
O especialista identifica uma sucessão de eventos negativos. Assim, cada problema retroalimentou o seguinte.
A tentativa frustrada de comprar o Banco Master iniciou a crise. Posteriormente, a repercussão pública desse episódio agravou a situação. A perda de confiança de parceiros e investidores veio em seguida. Além disso, credores estratégicos judicializaram conflitos pontuais.