Tesouro Direto / Foto: Freepik
Tesouro Direto / Foto: Freepik

Os títulos públicos voltaram a pagar menos nesta quinta-feira (22), acompanhando o bom humor do mercado local, mesmo sem novos sinais claros de um ciclo mais agressivo de cortes da Selic. As taxas estenderam o movimento de queda visto na véspera, na contramão da alta dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos.

O recuo ocorre em um ambiente de maior apetite ao risco, com entrada de fluxo estrangeiro e valorização dos ativos brasileiros. Ainda assim, analistas seguem cautelosos, já que o cenário fiscal e monetário não mudou de forma estrutural.

Prefixados recuam e seguem abaixo de 14% ao ano

Entre os papéis prefixados, o Tesouro Prefixado 2028 passou a oferecer 13,16% ao ano, levemente acima dos 13,12% da sessão anterior. Já o Tesouro Prefixado 2032 subiu para 13,78%, enquanto o Prefixado com juros semestrais 2035 avançou para 13,87%, ainda próximo do patamar psicológico de 14%.

Apesar das oscilações pontuais, o movimento reforça a leitura de que o mercado segue exigindo juros elevados por mais tempo, principalmente nos prazos mais longos.

Títulos atrelados à inflação mantêm prêmio elevado

Nos papéis indexados ao IPCA, as mudanças foram mais discretas. O Tesouro IPCA+ 2029 passou a pagar IPCA + 7,99%, praticamente estável em relação ao pregão anterior. Já o Tesouro IPCA+ 2040 manteve rendimento de IPCA + 7,37%.

Esses níveis continuam elevados em termos históricos e seguem atraentes para investidores com horizonte de longo prazo, especialmente em um cenário de incerteza fiscal.

Mercado secundário reflete ajuste nas expectativas

No mercado secundário, onde os títulos são negociados entre investidores, a elevação das taxas implica queda nos preços, já que juros e preço caminham em direções opostas.

Para quem compra os papéis agora, o movimento pode significar retorno potencial maior, sobretudo nos prefixados. Por outro lado, investidores que já estavam posicionados e precisam vender antes do vencimento podem enfrentar perdas de curto prazo.

O que o investidor deve observar

Apesar do alívio recente nas taxas, o cenário segue sensível ao noticiário macroeconômico, à condução da política fiscal e às expectativas para a Selic. Assim, a escolha entre títulos prefixados, pós-fixados ou atrelados à inflação continua exigindo atenção ao prazo, ao perfil de risco e ao objetivo do investimento.

Em momentos como este, o Tesouro Direto volta a ganhar protagonismo, mas a decisão deve ir além da taxa do dia.