Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, assinou uma carta divulgada na manhã desta terça-feira (13) em apoio ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, pois o mesmo é alvo de uma investigação criminal conduzida pelo governo de Donald Trump.

O então documento reúne a assinatura de 12 dos principais banqueiros centrais do mundo e representa uma manifestação pública incomum de solidariedade institucional diante do que os signatários classificam como risco à autonomia dos bancos centrais.

“Independência é alicerce da estabilidade”, diz comunicado

“Estamos em plena solidariedade com o sistema do Federal Reserve e seu presidente, Jerome H. Powell”, afirma a carta. Segundo o texto, a independência dos bancos centrais é um dos pilares da estabilidade de preços, financeira e econômica, atuando em benefício direto da sociedade.

“É, portanto, fundamental preservar essa independência, com total respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática”, diz o comunicado conjunto.

Os signatários também ressaltam a atuação de Powell à frente do Fed. “O presidente Powell tem atuado com integridade, focado em seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público”, destaca o texto.

Apoio reúne líderes do BCE, BIS e grandes economias

Além de Galípolo, a carta foi assinada pela presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e por outros nomes centrais da política monetária global.

Entre eles estão Andrew Bailey (Banco da Inglaterra), Tiff Macklem (Banco do Canadá) e François Villeroy de Galhau, que também preside o Conselho de Diretores do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

Também assinam o documento dirigentes de bancos centrais da Suécia, Dinamarca, Suíça, Noruega, Austrália, Coreia do Sul e o diretor-gerente do BIS.

Investigação reacende temor de interferência política

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou uma investigação criminal contra Powell envolvendo a reforma do prédio do Fed, em Washington. Além disso, O episódio ampliou o debate sobre possíveis tentativas de interferência política na condução da política monetária.

Powell reagiu publicamente, afirmando que o verdadeiro objetivo do governo Trump seria influenciar a definição dos juros, prerrogativa técnica do banco central americano.

Risco institucional vai além dos EUA

A manifestação dos banqueiros centrais indica que o caso extrapola a esfera doméstica dos Estados Unidos. Para o mercado, o enfraquecimento da autonomia do Fed pode gerar desancoragem das expectativas de inflação, maior volatilidade nos mercados e elevação do custo do crédito global, afetando inclusive economias emergentes.

Ao endossar a carta, o Banco Central do Brasil se alinha a uma defesa internacional da governança monetária independente, tema central para a credibilidade das políticas econômicas no cenário global.