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Mercado de trabalho dos EUA vive desalinhamento entre setores

Enquanto no setor de tecnologia as empresas congelam vagas, setor de hotéis busca contratações em larga escala

Mercado de trabalho dos EUA vive desalinhamento entre setores
Pixabay

O mercado de trabalho dos Estados Unidos vive um período conturbado. Enquanto empresas de crescimento, principalmente do setor de tecnologia, têm congelado as vagas e as contratações, outras, do setor de hotéis e serviços, por exemplo, buscam incessantemente por profissionais para as vagas. O objetivo deste segundo grupo é recuperar o atraso gerado pela pandemia de covid-19. 

Segundo David Tinsley, diretor do Bank of America, o mercado de trabalho dos Estados Unidos ainda é forte, mesmo com as demissões em alguns setores da economia. “Os consumidores gastaram muito em bens e pouco em serviços durante a pandemia e agora estamos vendo em nossos dados de cartão que eles estão voltando para os serviços, literalmente voando”, disse Tinsley em entrevista à CNBC.

Diversas gigantes de tecnologia anunciaram o congelamento de contratações, além de programas de demissões. Isso ocorreu por preocupações com uma possível desaceleração econômica, já que a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia limitaram planos de crescimento dessas companhias.

Ao menos 107 empresas de tecnologia demitiram funcionários desde o início de 2022, de acordo com dados do Layoffs.fyi, que acompanha os cortes de empregos em todo o setor.

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″É uma espécie de abalo daquelas empresas que talvez tenham exagerado em termos de contratação”, afirmou Tinsley sobre as demissões e congelamento de vagas no setor de tecnologia.

De acordo com a CNBC, os empregadores norte-americanos relataram mais de 24 mil cortes de empregos em abril deste ano. O número foi 14% maior do que o registrado em março e 6% superior a abril de 2021.

Por outro lado, David Kelly, estrategista-chefe global do JP Morgan Asset Management, afirmou à CNBC que mesmo que o mercado de trabalho dos EUA perdesse 3 milhões de vagas, ainda seria um mercado de procura de emprego. “Há um forte excesso de demanda por trabalhadores. Isso realmente protege a economia da recessão”, afirmou o executivo.