
O Parlamento Europeu suspendeu nesta quarta-feira (21) as negociações do acordo comercial entre a União Europeia e os EUA, em Bruxelas. A decisão foi uma reação direta às exigências do presidente americano, Donald Trump, para que os EUA adquiram a Groenlândia, além das ameaças de novas tarifas contra países europeus. Com isso, o avanço do acordo firmado em julho foi interrompido temporariamente.
Propostas de redução tarifária entram em pausa
Antes da suspensão, a assembleia europeia avaliava propostas para eliminar diversas tarifas de importação da UE sobre produtos americanos. Esse ponto era central no acordo firmado em Turnberry, na Escócia, no fim de julho. Também estava em debate a manutenção da tarifa zero para lagostas dos EUA, medida acordada inicialmente em 2020.
Para entrar em vigor, as propostas ainda precisariam do aval do Parlamento Europeu e dos governos nacionais do bloco.
Parlamentares apontam desequilíbrio no acordo
Mesmo com o avanço das tratativas, o desconforto entre parlamentares cresceu. O principal argumento é que o acordo favorece os Estados Unidos. Enquanto a UE reduziria grande parte de suas tarifas, os EUA manteriam uma taxa geral de 15%.
Ainda assim, havia disposição para seguir com o texto. Para isso, parlamentares defendiam a inclusão de salvaguardas, como uma cláusula de caducidade de 18 meses e mecanismos de resposta a aumentos bruscos das importações americanas.
Ameaças tarifárias rompem consenso político
O Comitê de Comércio do Parlamento Europeu votaria sua posição nos dias 26 e 27 de janeiro. No entanto, o agravamento das tensões diplomáticas levou ao adiamento do cronograma.
Segundo o presidente do comitê, Bernd Lange, as novas ameaças tarifárias romperam o acordo firmado em Turnberry. Diante disso, o Parlamento decidiu suspender as discussões por tempo indeterminado.
Escalada comercial entra no radar da UE
O congelamento do acordo elevou o temor de retaliações por parte dos Estados Unidos. Em Bruxelas, cresce a preocupação com a possibilidade de Trump anunciar tarifas ainda mais duras contra produtos europeus.
O governo americano, por sua vez, já indicou que não pretende oferecer concessões, como cortes tarifários sobre bebidas alcoólicas ou aço, enquanto o acordo não receber aprovação formal.