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Vitória de Milei na Argentina pode impactar liderança do Brasil; veja

Apesar das divergências nas pesquisas de intenção de voto, a percepção geral é que a vitória de Milei é "bastante provável", seja no primeiro ou no segundo turno.

Uma possível vitória do ultradireitista Javier Milei nas eleições presidenciais argentinas representa um desafio que o governo brasileiro deve abordar com equilíbrio e pragmatismo, segundo diplomatas e analistas de política externa. De acordo com reportagem do Valor Econômico, a estabilidade nas relações bilaterais é crucial para evitar um aprofundamento da desintegração na América do Sul e preservar a liderança regional do Brasil.

Apesar das divergências nas pesquisas de intenção de voto, a percepção geral é que a vitória de Milei é “bastante provável”, seja no primeiro ou no segundo turno. O cenário já está sendo considerado no mundo político argentino, com sinalizações do ex-presidente Mauricio Macri, padrinho político da candidata Patricia Bullrich, em direção ao ultradireitista.

No Ministério das Relações Exteriores, a expectativa é que a gestão de Milei “demandará atenção”, e que um reajuste nas relações bilaterais se tornará inevitável. No entanto, é crucial distinguir entre declarações de campanha e ações práticas. Em uma reunião recente com assessores próximos de Milei, diplomatas brasileiros receberam garantias de que a relação estratégica entre os dois países será mantida e que não ocorrerão rupturas significativas.

Hussein Kalout, pesquisador da Universidade de Harvard e ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, descreve a relação como um “matrimônio em que nenhum dos lados tem direito ao divórcio”. Ele enfatiza a importância dessa parceria em diversas áreas, incluindo defesa e energia nuclear.

Uma das principais preocupações em relação a Milei diz respeito ao futuro do Mercosul. O candidato costuma criticar o bloco como um “fracasso comercial” e promete retirar a Argentina caso seja eleito. Os diplomatas brasileiros que se reuniram com a equipe do candidato indicam que as intenções são realizar atualizações, mas que uma desfiliação seria um processo complexo e demorado.

Uma saída da Argentina do Mercosul teria impactos significativos e negativos, prejudicando os benefícios acumulados ao longo de três décadas de integração regional. No entanto, as projeções sobre a política externa de Milei até o momento baseiam-se em declarações controversas feitas durante a campanha. Ele tem se concentrado principalmente em questões econômicas, deixando em aberto suas diretrizes em relação às relações internacionais, o que torna a formulação de uma estratégia precisa um desafio.

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