
O Allianz Parque entra em uma nova fase de modernização. O gramado importado que substituirá o piso atual já está em território brasileiro, etapa decisiva para o avanço das obras no estádio do Palmeiras.
Além disso, a expectativa é concluir a instalação até o fim de fevereiro, permitindo o retorno do time à arena após um período de jogos fora de casa.
Sendo assim, mais do que uma simples troca de superfície, o projeto envolve logística internacional, tecnologia de última geração e um debate nacional sobre o uso de gramados sintéticos no futebol brasileiro.
Gramado do Allianz Parque chega ao Brasil após transporte marítimo
O novo piso do Allianz Parque foi transportado por navio cargueiro e deve atracar no porto de Navegantes, em Santa Catarina, em 13 de janeiro. A carga soma cerca de 70 toneladas, entre os tapetes de grama e o shock pad, camada amortecedora responsável por absorver impactos durante as partidas.
Após a chegada, o material passa pelo processo de nacionalização, etapa que envolve exigências alfandegárias e tributárias, com prazo estimado de uma semana. Na sequência, o gramado segue para São Paulo, onde a instalação deve começar.
Obra no Allianz Parque segue cronograma e mira fevereiro
A troca do gramado faz parte de um cronograma definido entre o Palmeiras e a WTorre, administradora do estádio. Durante o período de obras, o clube utilizará a Arena Crefisa Barueri como casa no início do Campeonato Paulista e do Brasileirão.
Dessa forma, o investimento estimado gira em torno de R$ 10 milhões. Ao todo, o processo foi dividido em sete etapas, incluindo remoção da cortiça e da areia, ajustes na base, abertura de sistemas de drenagem, instalação do shock pad e colocação dos novos tapetes de grama.
A previsão oficial é de que o Palmeiras volte a atuar no estádio no fim de fevereiro.
Tecnologia do novo gramado sintético do Allianz Parque
O sistema adotado é o Soccer Grass MX Elite (v2.0), com 50 milímetros de espessura. Trata-se de uma evolução do modelo anterior, já utilizado no estádio desde 2020, mas com um ajuste técnico importante.
Cada tufo do gramado combina três tipos de fibras, sendo que uma delas foi modificada para melhorar a semelhança com o gramado natural e aprimorar a performance esportiva.
“A estrutura é a mesma, mas houve um ajuste fino em uma das fibras, que aumenta a aproximação ao gramado natural e melhora a performance”, explicou Alessandro Oliveira, presidente da Soccer Grass, empresa responsável pelo campo.
Por que o Allianz Parque precisou trocar o gramado
A decisão pela troca acabou acontecendo após avaliações técnicas indicarem perda parcial da chamada “memória” da grama, característica que permite que as fibras retornem à posição vertical após impacto e peso constantes.
O desgaste chegou a ser alvo de críticas públicas do técnico Abel Ferreira. Internamente, Palmeiras, WTorre e Soccer Grass avaliaram que a substituição era necessária para recuperar as melhores condições do piso.
Segundo comunicado do clube, o gramado do Allianz Parque mantém certificação da FIFA desde sua implementação. A troca, de acordo com a nota, busca preservar a integridade física e a saúde dos atletas em jogos de alto nível.
Debate sobre gramado sintético ganha força no futebol brasileiro
A reforma do Allianz Parque ocorre em meio a um debate mais amplo sobre o uso de gramados sintéticos no Brasil. O tema ganhou destaque após o Flamengo protocolar na CBF uma proposta de padronização dos campos, defendendo o fim dos pisos artificiais.
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, reagiu afirmando que parte das críticas se baseia em informações incorretas e defendeu um debate técnico, sem viés clubista.
Em reunião recente do Conselho Técnico, cinco clubes, entre eles o Palmeiras, manifestaram apoio aos gramados sintéticos, alegando que pisos de alta performance superam campos naturais em más condições.
A CBF indicou que o tema deve voltar à pauta entre fevereiro e março. Até lá, não há sinalização de veto ou mudanças imediatas nas regras de homologação.
Allianz Parque e o impacto além do futebol
Além da discussão esportiva, a obra no Allianz reforça o papel do estádio como ativo estratégico do futebol brasileiro. Portanto, a arena recebe jogos, shows e grandes eventos, o que exige um piso capaz de suportar múltiplos usos sem comprometer a qualidade técnica.
Em suma, com a chegada do novo gramado, o Palmeiras aposta em estabilidade, previsibilidade e manutenção de um padrão que sustenta tanto o calendário esportivo quanto a agenda comercial do estádio.