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CVM exige OPA na Ambipar (AMBP3): o que esperar?

CVM obriga a Ambipar a realizar OPA devido a aquisição significativa. A medida visa garantir a proteção dos investidores

Foto: Reprodução Governo Federal

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) determinou que a Ambipar (AMBP3) realize uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) por aumento de participação. 

A decisão impacta investidores e pode gerar mudanças importantes nas ações da empresa. 

CVM: o que motivou a OPA?

Em 2024, as ações da Ambipar dispararam mais de 730%, o que atraiu a atenção da CVM.

A Comissão, por meio de sua SRE (Superintendência de Registro de Valores Mobiliários), identificou que a gestora Trustee adquiriu uma participação significativa na companhia. 

Entre julho e agosto de 2024, a Trustee, em conjunto com o controlador da Ambipar, ultrapassou o limite de 1/3 das ações em circulação.

Esse movimento gerou a necessidade de realizar uma OPA.

A SRE determinou que a Trustee deve fazer uma oferta pública para comprar as ações restantes da Ambipar. 

A empresa tem até 21 de abril de 2025 para registrar a oferta. Vale destacar que a Ambipar expressou surpresa com a decisão da CVM e reiterou que segue as normas regulatórias.

O impacto da OPA para os investidores

Para os investidores, a OPA traz algumas implicações. 

De acordo com Caio Azuirson, sócio da área de Direito Societário do Serur Advogados, uma OPA é obrigatória quando um acionista ultrapassa o limite de 1/3 das ações em circulação.

A oferta garante que os acionistas possam vender suas participações por um preço justo, baseado em uma avaliação independente.

Felipe Ronco, do Modesto Carvalhosa, Kuyven e Ronco Advogados, explica que o objetivo da OPA é proteger os investidores e evitar riscos para a liquidez das ações. 

Caso a CVM identifique irregularidades nas aquisições, as partes envolvidas podem ser penalizadas.

Previsões para as ações da Ambipar com a OPA da CVM

Os analistas não acreditam em mudanças significativas no controle da Ambipar. 

A OPA deve atingir apenas o free float, representando cerca de 17,5% do total de ações.

No entanto, a volatilidade das ações pode aumentar, dependendo do preço da oferta.

Azuirson prevê que os preços das ações podem sofrer ajustes no mercado, especialmente se a oferta for feita a valores abaixo do preço atual das ações.

Possível fechamento de capital da Ambipar?

Embora a decisão da CVM não indique diretamente um fechamento de capital, Azuirson alerta que um aumento significativo no controle da empresa poderia levar a essa possibilidade. 

No entanto, para que isso aconteça, seria necessário um processo específico de OPA e a aceitação dos acionistas minoritários.

Movimentações recentes da Trustee

A Trustee, que detém atualmente 8,98% das ações da Ambipar, já foi responsável por grandes aumentos de participação na empresa. 

Entre julho e agosto de 2024, a gestora chegou a possuir 15,03% do capital social.

Desde então, reduziu sua participação, e, no início de 2025, declarou que não teria mais interesse em indicar membros para o conselho da empresa.

Próximos passos

A decisão da CVM traz mais incertezas para o futuro das ações da Ambipar. 

A OPA exigida pode gerar volatilidade, mas também oferece aos acionistas a oportunidade de vender suas ações a um preço justo. 

Acompanhe de perto os próximos passos e a reação da gestora Trustee.