AZUL4
(Foto: Reprodução/Agência Brasil)

As ações da Azul lideraram as perdas do mercado na tarde desta quarta-feira (7). Por volta das 15h40, os papéis recuavam 32,19%, cotados a R$ 379,95, após a companhia homologar uma oferta de ações de R$ 7,4 bilhões, movimento que ampliou a diluição dos acionistas e acendeu o alerta no mercado.

A reação negativa veio na esteira do anúncio feito na noite de terça-feira (6). Em recuperação judicial nos Estados Unidos, a Azul confirmou a homologação da oferta no valor de R$ 7,44 bilhões, com a emissão de 723,8 bilhões de ações ordinárias e 723,8 bilhões de ações preferenciais, em uma das maiores operações de conversão de dívida em capital já vistas no mercado brasileiro.

Oferta bilionária amplia diluição e pressiona ações da Azul

Com a conclusão da operação, o capital social da Azul passou a somar R$ 14,5 bilhões, dividido entre 725.990.305.836 ações ordinárias e 724.757.380.468 ações preferenciais. Na prática, o volume expressivo de novos papéis provocou uma diluição severa das participações existentes.

Analises já alertavam os acionistas minoritários da Azul poderiam ter suas participações reduzidas em até 100%. O cenário se confirmou com a homologação da oferta, intensificando a pressão sobre as ações.

Liquidez cresce, mas perdas se acumulam em 2026

Apesar da forte queda, o giro financeiro chamou atenção. Até o início da tarde, o volume negociado somava R$ 4,82 milhões, aproximando-se dos R$ 6,65 milhões registrados durante toda a sessão anterior. No acumulado do ano, porém, o desempenho segue negativo: as ações da Azul já acumulam queda superior a 77%.

Desde 23 de dezembro, a B3 negocia as ações preferenciais da companhia sob o código AZUL54, com cada papel representando um lote padrão de dez mil ações. A mudança reflete justamente o processo de conversão de dívidas em ações, pilar central do plano de reestruturação financeira da empresa.

Mercado vê alívio financeiro, mas risco elevado ao acionista

Embora a oferta alivie parcialmente o balanço da Azul ao reduzir o endividamento com credores, o custo para o investidor foi elevado. A forte diluição e o aumento expressivo do número de ações em circulação reduziram drasticamente o valor econômico das participações existentes.

O movimento reforça a leitura de que, apesar do reforço de capital, o risco para o acionista minoritário da Azul permanece elevado, sobretudo em um contexto de recuperação judicial e reestruturação profunda do capital da companhia.