AZUL54
Foto: Divulgação Azul Linhas Aéreas

A ação da Azul (AZUL54) entrou em uma fase em que o gráfico passa a dividir espaço com o noticiário.

Na leitura de Fabrício Lorenz, analista técnico, o papel vive “volatilidade extrema causada por notícias” e, após um evento de diluição, “simplesmente derreteu e vem derretendo ao longo dos últimos dias”.

Para ele, esse contexto muda o que o investidor deve procurar: menos “pechincha” e mais disciplina. No centro da tese, está a ideia de que qualquer entrada agora precisa ser tratada como “especulativa”, e com tamanho de posição reduzido.

AZUL54 e a queda: por que “barato” pode virar armadilha

Lorenz chama atenção para um comportamento comum em movimentos de baixa: a tentação de comprar porque “caiu demais”.

“Eu sei que, na medida que a gente olha um ativo caindo muito, fica aquela perspectiva de ‘estou querendo comprar porque esse ativo está barato, caiu demais’”, afirmou. A ressalva vem na sequência: “Nesses momentos de altíssima volatilidade, a gente tem que ter muita tranquilidade, muita parcimônia”.

Na prática, o recado é que a leitura de preço não pode ser separada do risco de eventos. Quando a oscilação é guiada por manchetes e revisões de cenário, o investidor pode acertar a direção e, ainda assim, perder o controle do risco por causa de gaps e mudanças bruscas de liquidez.

IFR em sobrevenda: o indicador existe, mas não manda sozinho

Um dos pontos que sustentam o debate sobre um repique em AZUL54 é o IFR (Índice de Força Relativa), indicador usado para mapear condições de “sobrevenda”.

Lorenz afirma que o papel “está em níveis de sobrevenda extremo”, em patamar que ele compara ao que ocorreu em 2020, durante a pandemia, quando “o Bovespa caiu basicamente 50% em um mês”.

A comparação, porém, vem com um alerta que evita leitura automática. “A gente percebe comparativamente o cenário que a Azul se encontra hoje (…) e que sim, depois nós tivemos uma recuperação, mas nada garante que a gente vai ter algo nesse sentido agora”, disse.

Ou seja: sobrevenda pode aumentar a probabilidade de reação técnica, mas não funciona como garantia. O que define o resultado, na visão do analista, é como o preço se comporta após o sinal e como o investidor dimensiona a exposição.

Padrão de entrada e “inside bar”: onde o gráfico sugere repique

Lorenz descreve um padrão que, para ele, pode abrir uma janela de compra mirando um repique de curto prazo.

“O que a gente está vendo hoje é um padrão de entrada muito interessante, à medida em que nós temos uma barra de contração, uma barra menor, um inside bar dentro da barra anterior”, explicou. “O que é um sinal efetivamente de possibilidade de compra vislumbrando um repique no curto prazo.”

Sendo assim, a leitura técnica, aqui, é de compressão: o mercado reduz amplitude após uma queda e, muitas vezes, prepara um movimento de correção.

Mas o analista não trata isso como “oportunidade” no sentido tradicional. Portanto, ele enquadra como tentativa de captura de movimento, e reforça que, nesse tipo de cenário, a execução (entrada, stop e tamanho) pesa mais do que a “história”.

“É altamente especulativa”: como Lorenz enquadra a compra de AZUL54

O ponto mais repetido na fala do analista é o rótulo de risco. “O trader, o investidor que estiver pensando em comprar a Azul precisa encarar essa posição como especulativa. Nada mais do que isso”, afirmou. E reforçou: “Não é uma oportunidade pouco especulativa, é altamente especulativa”.

Ao usar esse enquadramento, Lorenz separa dois perfis: quem opera movimentos curtos, aceitando ruído, e quem busca construção de posição para horizonte maior. No caso de AZUL54, ele sugere que a compra, se feita, deve analisar como uma operação e não como tese de médio prazo.

Risco de gap e stops: quando o mercado “pula” a proteção

Um trecho específico da análise concentra o cuidado com volatilidade: o comportamento do mercado na abertura.

“Não seria nem um pouco espantoso se esse trade fosse acionado e eventualmente o mercado no dia seguinte já abrisse num gap de baixa pulando os stops”, disse. “Isso é algo nesse cenário que a gente poderia dizer bastante comum de acontecer.”

Dessa forma, para o leitor, a mensagem é direta: em papéis com gap frequente, stop não é promessa de execução no preço desejado. Ele é uma regra e, em certas aberturas, a regra cumpre-se com preço pior do que o planejado. Esse é um dos motivos pelos quais Lorenz insiste no tamanho da posição como ferramenta central de proteção.

Tamanho da posição: “se fosse a zero, não faria diferença”

Ao falar de gestão de risco, Lorenz é explícito: se houver entrada, ela deve ser pequena. “Eu consideraria uma posição muito, muito pequena”, afirmou. “Aquele tamanho de capital que se fosse a zero não faria diferença nenhuma na carteira global do trader.”

A lógica é reduzir o dano de um evento extremo e, ao mesmo tempo, manter a possibilidade de capturar um movimento de alta caso o repique se confirme. “Caso a operação dê certo, percentualmente poderia tirar uma casquinha desse movimento”, disse.

Médio prazo: por que a análise aponta lateralização

Depois de uma queda com amplitude elevada, Lorenz diz que é difícil esperar uma recuperação em “V”.

“Movimentos tão fortes quanto esses é muito difícil a gente ver uma recuperação muito forte, uma volta em V”, afirmou. E completou: “O mais provável mesmo é uma lateralização com pouca volatilidade, os preços fazendo em poucas palavras nada.”

Além disso, esse cenário, na leitura dele, seria o mercado tentando “precificar” os acontecimentos e reorganizar expectativas, em vez de entregar uma reversão rápida.

No fim, a análise coloca AZUL54 em um lugar claro: o gráfico até pode sugerir repique, mas o fator decisivo é o risco. Para Lorenz, a compra só faz sentido se o investidor aceitar que “é altamente especulativa” e se a posição for calibrada para que um cenário adverso não defina o resultado da carteira. AZUL54.