Veja o resumo da noticia

  • Rebaixamento da recomendação para Cogna pelo Bradesco BBI devido à alta das ações e avaliação de menor potencial de valorização no curto prazo.
  • Redução do preço-alvo para Cogna para R$ 4,20, refletindo uma perspectiva mais cautelosa para os próximos trimestres e projeções de lucro.
  • Preocupação com a pressão de margem na Kroton no 4º trimestre de 2025, impactando negativamente as projeções de lucro da Cogna.
  • Manutenção da recomendação de compra para Yduqs, Ânima e Vitru, com avaliações consideradas ainda atrativas pelo Bradesco BBI.
  • Visão mais conservadora para o setor de educação em 2026 devido a avaliações menos atrativas e desafios regulatórios futuros.
  • Acompanhamento do ritmo de admissões no ensino a distância como um termômetro crucial para o desempenho do setor educacional.
  • Foco na dinâmica de margens, admissões em EAD e efeitos da regulamentação como fatores-chave para o investidor no setor.
Foto: Divulgação
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O Bradesco BBI rebaixou a recomendação da Cogna (COGN3) de compra para neutra. A mudança acontece depois de uma disparada de 230% nas ações desde a revisão positiva feita em 2024. Na prática, o banco avalia que a tese perdeu assimetria no curto prazo, mesmo com o papel ainda no centro do radar de investidores que buscam o “próximo movimento” do setor de educação na B3.

Além disso, o BBI reduziu o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 4,80 para R$ 4,20. O novo nível embute, segundo o relatório, um potencial de alta mais limitado, 11%, e vem acompanhado de uma leitura mais cautelosa para os próximos trimestres.

Cogna (COGN3): o que mudou na recomendação

O ponto principal do rebaixamento é a avaliação. Depois do rali, o BBI passou a enxergar um preço mais “justo” para a ação, citando múltiplos como P/L (preço sobre lucro) ao redor de 9 vezes. Em outras palavras: a margem de segurança diminuiu.

Ao mesmo tempo, o banco aponta um gatilho adicional: a expectativa de resultados mais fracos no 4º trimestre de 2025, com a Kroton pressionando margens. Por isso, os analistas cortaram a projeção de lucros para 2026 em 5%, e agora ficam 4% abaixo do consenso.

Kroton no centro: por que a margem virou alerta

Na fotografia mais recente, o BBI considera a Cogna como o potencial “destaque negativo” do setor no 4T25. O motivo é direto: pressão de margem na Kroton. Assim, o banco prefere adotar postura de espera, em vez de seguir como comprador agressivo após a alta forte.

Quem segue como compra: Yduqs, Ânima e Vitru

Mesmo com a cautela em COGN3, o Bradesco BBI manteve recomendação de compra para:

  • Yduqs (YDUQ3)
  • Ânima (ANIM3)
  • Vitru (VTRU3)

Aqui, o argumento é outro: avaliações ainda atrativas, com potencial de valorização estimado entre 24% e 56%. Além disso, o banco aponta a Vitru como possível “destaque positivo” nos números do 4T25.

Setor de educação em 2026: por que o BBI ficou mais cauteloso

O relatório sugere um tom mais conservador para o setor como um todo. Segundo o BBI, três fatores pesam:

  1. avaliações menos atrativas, após a recuperação de várias ações;
  2. um 2026 mais desafiador, com Ebitda projetado para crescer cerca de 6%;
  3. mais pressão em 2027, por causa do fim do período de transição da nova regulamentação e de possíveis impactos na área de medicina ligados ao Enamed.

Ou seja: ainda há história para contar, mas o banco enxerga menos espaço para múltiplos abrirem como abriram até aqui.

Admissões e EAD: o termômetro que pode decidir o ritmo do setor

Um sinal que preocupa é o ritmo de admissões no 1º semestre de 2026, descrito como desafiador, especialmente no ensino a distância dentro do modelo semipresencial.

Apesar disso, o BBI observa que líderes como Vitru, Cogna e Yduqs ainda mostram admissões mais estáveis, enquanto players como Cruzeiro do Sul (CSED3), Ser Educacional (SEER3) e empresas menores aparecem com desempenho mais fraco. Assim, mesmo em um mercado que pode estar encolhendo, as maiores conseguem “defender território”, o que vira um diferencial competitivo relevante.

O que o mercado deve acompanhar agora

Com o setor entrando numa fase mais seletiva, três pontos tendem a ganhar peso:

  • a fotografia de margens no 4T25, principalmente na Kroton;
  • a dinâmica de admissões em 2026, com foco em EAD/semipresencial;
  • os efeitos graduais da regulamentação, que podem ser pequenos agora, mas mais sensíveis em 2027.

No fim, o recado do Bradesco BBI é claro: o ciclo ainda pode continuar, porém o investidor vai precisar ser mais cirúrgico, e menos movido pelo embalo do rali.