
O recente anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, preocupou os mercados e quase todos os setores — incluindo as commodities, em especial o petróleo, que é uma fonte de energia essencial para o transporte global.
Com isso, a tese de especialistas ouvidos pelo BP Money é que a nova leva de tarifas elevou os temores de recessão nos EUA. A justificativa é que taxas altas equivalem a inflação forte, o que reduz o consumo. “O mercado já começou a precificar essa menor demanda futura e, mesmo diante de cortes de produção e tensões no Oriente Médio, o risco de desaceleração econômica pesou mais, levando à queda nos preços da commodity”, comentou Angelo Belitardo, gestor da Hike Capital.
Na última quarta-feira (2), após o fechamento do mercado, Trump anunciou — com muita empolgação e uma grande tabela — as tão faladas “tarifas recíprocas”, na ordem de 10% a 49% sobre exportações para todos os EUA. Como consequência, os mercados financeiros acabaram operando no vermelho, salvo alguns países. O petróleo seguiu o caminho da queda.
Na quinta-feira (3), os contratos futuros de petróleo tipo Brent — referência global — para junho fecharam com queda de 6,86%, a US$ 69,81. Já o WTI — referência dos EUA — para maio encerrou o pregão com contração de 0,06%, a US$ 66,58.
“Inicialmente, as ameaças de tarifas geraram especulações que elevaram os preços, mas o ajuste posterior dos investidores à realidade do impacto na demanda resultou em correções negativas”, explicou Wellinton Santos, conselheiro do Corecon-SP.
Peso da Petrobras no Ibovespa e efeitos das tarifas sobre os setores
A Petrobras (PETR4; PETR3) é uma das ações de maior peso no Ibovespa, principal índice de ações da B3 (B3SA3). A estatal tem uma correlação razoável com o petróleo, considerando que é uma petroleira. Contudo, para o diretor de Negócios da Comdinheiro/Nelogica, Filipe Ferreira, em comparação com seus pares internacionais, ela apresenta “uma das menores correlações com o preço do petróleo”.
“A Petrobras possui outras atividades. Além disso, não está tão vinculada diretamente à extração e ao comércio do petróleo bruto”, comentou Ferreira.
Contudo, o assessor de investimentos e especialista em renda variável do Grupo Fractal, Alexandre Siqueira, aponta que o petróleo pode sim ser um ponto de atenção, considerando que afeta diretamente o desempenho da companhia e do setor.
Além disso, os especialistas pontuam que, em meio às incertezas, ações de empresas de tecnologia devem sofrer mais, considerando que seus preços estão sempre atrelados ao crescimento. Por outro lado, os papéis de companhias voltadas à “economia real” tendem a preservar melhor seus preços.
“O que vimos, em um primeiro movimento, foi justamente uma alta das empresas que compõem o Ibovespa e puxam o setor da economia real. Depois, a Bolsa acomodou”, declarou Filipe Ferreira, referindo-se ao fechamento de quinta-feira. Na data, o Ibovespa encerrou as negociações com leve queda de 0,04%, aos 131.140,65 pontos.