Veja o resumo da noticia
- Morgan Stanley rebaixa recomendação da CPFL para underweight devido à perda de atratividade na relação risco-retorno da ação.
- A valorização da CPFL nos últimos 12 meses já refletiu os principais vetores positivos, limitando o potencial de retorno adicional.
- Apesar da elevação do preço-alvo, o Morgan Stanley indica um potencial de queda, com TIR real abaixo do custo de capital.
- Dividendos da CPFL perderam atratividade em relação a concorrentes como Eletrobras e Copel, que oferecem yields maiores.
- Morgan Stanley reconhece a qualidade da gestão da CPFL, mas vê alternativas com melhor risco-retorno no setor elétrico.

O Morgan Stanley rebaixou a recomendação da CPFL Energia (CPFE3) de equal-weight para underweight, classificação equivalente à venda. O banco afirma que a relação risco-retorno da ação perdeu atratividade.
Segundo o relatório, os catalisadores positivos no curto prazo são limitados. Além disso, os dividendos ficaram menos interessantes após a forte valorização dos papéis.
Nos últimos 12 meses, a CPFL acumulou alta de cerca de 75%. O desempenho superou o Ibovespa e o Índice de Energia Elétrica (IEE) em 32 e 14 pontos percentuais, respectivamente.
Valorização já reflete os principais vetores positivos
De acordo com o Morgan Stanley, o rali da ação ocorreu por vários motivos. Entre eles, estavam o valuation atrativo há um ano e a expectativa de dividendos acima da média em 2025.
O banco também cita decisões favoráveis envolvendo ativos contingentes. Outro fator foi o perfil defensivo da companhia em um cenário macroeconômico instável.
Agora, porém, o banco entende que esses vetores já estão refletidos no preço atual. Com isso, o potencial de retorno adicional se tornou limitado.
Preço-alvo sobe, mas indica queda potencial
Mesmo com o rebaixamento, o Morgan Stanley elevou o preço-alvo de R$ 40 para R$ 48. A revisão considera a extensão do horizonte de valuation até o fim de 2026.
O banco também incorporou desfechos positivos em ativos contingentes. Além disso, ajustou levemente as projeções operacionais para o médio prazo.
Ainda assim, o novo preço-alvo indica potencial de queda de cerca de 13%. A CPFL também apresenta uma das menores taxas internas de retorno (TIR) real entre as empresas cobertas.
A estimativa é de 7,4% reais, abaixo do custo de capital da companhia. Segundo o banco, o retorno não oferece prêmio de risco acionário relevante.
Risco-retorno e catalisadores já precificados
Na avaliação do Morgan Stanley, o perfil risco-retorno da CPFL é desfavorável. A relação bull/bear gira em torno de 0,5 vez. Morgan Stanley rebaixa CPFL e vê risco-retorno pouco atrativo
Esse nível fica abaixo da média de 1,0 vez observada entre os pares do setor elétrico.
O banco reconhece possíveis eventos positivos no curto prazo. Entre eles, cerca de R$ 6 bilhões ligados à autonegociação e R$ 400 milhões em ressarcimentos por cortes de geração.
Há ainda aproximadamente R$ 300 milhões em ganhos associados a descontos em valores de concessões. No entanto, o relatório afirma que todos esses fatores já estão incorporados ao valuation atual.
Dividendos perdem atratividade relativa
Outro ponto negativo envolve os dividendos. Segundo o banco, a CPFL deixou de liderar o dividend yield no universo de cobertura. Após a valorização da ação, o retorno caiu para patamares médios de um dígito.
Enquanto isso, concorrentes como Eletrobras (ELET3) e Copel (CPLE3) reforçaram suas políticas de remuneração. Essas empresas passaram a oferecer yields de um dígito alto a dois dígitos baixos.
Morgan vê alternativas mais atrativas no setor
O banco reconhece a qualidade da gestão da CPFL. Também destaca a eficiência operacional e a alavancagem confortável. A dívida líquida sobre Ebitda ficou em 2,2 vezes no terceiro trimestre de 2025. A companhia também mantém geração robusta de caixa.
Apesar disso, o Morgan Stanley avalia que existem opções com melhor risco-retorno no setor elétrico. Entre elas, a Copel se destaca. O banco estima TIR real de 10,4% e dividend yield médio próximo de 11% em 2026 e 2027.