
Em 2025, a liderança do valor de mercado da B3 mudou de mãos. O Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou o ano como a empresa mais valiosa da bolsa brasileira, superando a Petrobras (PETR4). O levantamento foi feito pela consultoria Elos Ayta.
Embora esse movimento já tivesse ocorrido pontualmente em março de 2020, durante a crise sanitária, a diferença agora foi a consistência ao longo do ano. Em 2025, a troca de posições se manteve por vários meses, indicando uma mudança estrutural na avaliação do mercado.
Alternância ao longo do ano confirmou a virada
Os dados mostram que, em 17 pregões, o Itaú ficou à frente da Petrobras em valor de mercado. Nos quatro últimos dias de negociação do calendário, o banco fechou como a empresa mais avaliada da bolsa, consolidando a virada no encerramento de dezembro.
A trajetória das duas companhias ao longo do ano ajuda a explicar o resultado. Entre janeiro e dezembro, o Itaú acrescentou R$ 135,1 bilhões ao seu valor de mercado. No mesmo período, a Petrobras registrou redução de R$ 80,1 bilhões.
Esses movimentos refletiram fatores distintos. No caso do banco, pesaram a percepção de previsibilidade de resultados e a leitura do mercado sobre o setor financeiro. Já a estatal foi impactada por variáveis como os preços do petróleo, decisões sobre dividendos e questões institucionais.Picos ocorreram em momentos diferentes
O Itaú atingiu seu maior valor de mercado em 4 de dezembro, quando alcançou R$ 443,2 bilhões. Até o fim do ano, houve uma redução de R$ 26,8 bilhões.
A Petrobras, por sua vez, chegou ao pico mais cedo. Em 20 de fevereiro, a companhia alcançou R$ 526,0 bilhões em valor de mercado. A partir desse ponto, perdeu R$ 115,7 bilhões até o encerramento de dezembro.
BTG sobe e ranking da B3 passa por mudanças
Além da disputa pela liderança, o ranking da B3 teve outras alterações relevantes em 2025. O BTG Pactual avançou da sétima posição no fim de 2024 para o terceiro lugar ao final de 2025. O banco encerrou o ano avaliado em R$ 322,7 bilhões, após adicionar R$ 189,1 bilhões em doze meses.
A Vale (VALE3) permaneceu entre as principais empresas da bolsa, mas fechou o ano na quarta colocação, com valor de mercado de R$ 307,2 bilhões, uma posição abaixo em relação ao ranking anterior.
Petrobras e WEG entre as poucas quedas
Entre as dez empresas com maior valor de mercado no fim de 2025, apenas duas apresentaram queda no ano. Além da Petrobras, a WEG (WEGE3) também registrou recuo.
A empresa industrial saiu da quarta posição em 2024 para a sexta em 2025, após uma redução de R$ 17,8 bilhões em valor de mercado, em meio à revisão de expectativas por parte dos investidores.
Nova composição do top 10
O grupo das dez maiores empresas da B3 passou a contar com a Axia Energia, antiga Eletrobras. A companhia encerrou 2025 na oitava posição, avaliada em R$ 144,1 bilhões, após um aumento de R$ 66,3 bilhões em relação ao fim de 2024.
Com isso, o Banco do Brasil (BBAS3) deixou o grupo das dez maiores e fechou o ano na 11ª colocação, com valor de mercado de R$ 123,1 bilhões, após queda de R$ 12,8 bilhões em 2025.
Bolsa menos estatal ao fim de 2025
Ao final de 2025, o ranking das maiores empresas da B3 revelou uma bolsa menos concentrada em estatais e com maior peso de instituições financeiras privadas. Itaú Unibanco, Petrobras e BTG Pactual lideram um conjunto que reúne bancos, mineração, consumo e energia.
Esse retrato evidencia uma maior diversidade setorial no mercado de capitais brasileiro e reforça a leitura de que o investidor passou a diferenciar com mais clareza estratégias, retorno e perspectivas de cada companhia ao longo do ano.