Veja o resumo da noticia
- Estreia do PicPay na Nasdaq marca evento aguardado com IPO de US$ 434 milhões e ações estáveis no primeiro dia de negociação.
- Investidores globais observam listagem como teste do apetite por fintechs brasileiras com crescimento e boa governança.
- Ações PICS entram no radar de fundos globais de tecnologia; família Batista mantém controle acionário majoritário.
- Participação da Bicycle Capital como investidor âncora contribui para estabilidade na estreia e reforça confiança.
- Listagem reacende debate sobre IPOs brasileiros no exterior após Nubank e ausência de novas ofertas na B3.
- Estreia cautelosa do PicPay indica mercado disposto a absorver histórias de crescimento bem precificadas.

O banco digital PicPay estreou nesta quinta-feira (29) na Nasdaq, em um dos eventos mais aguardados do mercado de capitais brasileiro nos últimos anos. Após levantar US$ 434 milhões em sua oferta pública inicial (IPO), as ações da fintech fecharam estáveis, a US$ 19, exatamente o preço da oferta.
Durante o pregão, os papéis chegaram a tocar US$ 19,95, uma alta de aproximadamente 5%, mas o movimento não se sustentou até o encerramento, sinalizando uma estreia sem euforia, porém bem absorvida pelo mercado.
Mercado testa apetite por fintech brasileira
A estreia do PicPay foi acompanhada de perto por investidores globais por marcar a primeira listagem de uma empresa brasileira em mais de quatro anos. O desempenho contido no primeiro dia reflete um ambiente ainda seletivo, no qual investidores buscam empresas com escala, governança e narrativa de crescimento sustentável.
Além disso, a operação avaliou o PicPay em cerca de US$ 2,6 bilhões, com a venda de 22,86 milhões de ações e uma diluição de aproximadamente 21% para os acionistas existentes.
Código PICS entra no radar dos investidores
Negociadas sob o ticker PICS, as ações do PicPay passaram a integrar o radar de fundos globais focados em tecnologia e serviços financeiros. A companhia também concedeu aos coordenadores da oferta uma opção de lote suplementar (greenshoe) por 30 dias, o que pode elevar o volume total captado para até US$ 500 milhões, dependendo da demanda.
A operação foi coordenada por Citigroup, Bank of America e Royal Bank of Canada, bancos tradicionais em estreias de empresas estrangeiras nos Estados Unidos.
Família Batista mantém controle após IPO
Mesmo após a abertura de capital, Wesley e Joesley Batista seguem com mais de 90% do poder de voto da companhia. O PicPay faz parte do portfólio da J&F Investimentos, que controla ativos em setores como alimentos, energia, mineração, mídia e tecnologia.
A listagem também representa um passo simbólico na estratégia de internacionalização do grupo, que busca ampliar o acesso ao mercado global de capitais.
Investidor âncora reforça confiança na estreia
Um dos destaques da operação foi a participação da Bicycle Capital, fundo de crescimento liderado por ex-executivos do SoftBank, incluindo o bilionário Marcelo Claure, que se comprometeu a investir US$ 75 milhões no IPO.
A presença de um investidor âncora ajudou a reduzir o risco da operação e contribuiu para uma estreia mais equilibrada, sem oscilações abruptas.
Estreia do PicPay reabre discussão sobre IPOs brasileiros
A chegada do PicPay à Nasdaq reacende o debate sobre a retomada de IPOs de empresas brasileiras, especialmente no exterior. A última companhia do país a abrir capital nos EUA foi o Nubank, em 2021.
No mercado doméstico, a última abertura de capital ocorreu ainda em setembro de 2021, com a Vittia. Desde então, juros elevados e volatilidade afastaram novas ofertas na B3.
Leitura do mercado: estreia cautelosa, mas simbólica
A estreia estável do PicPay indica que o mercado segue cauteloso, mas disposto a absorver novas histórias de crescimento, desde que bem precificadas. Sem disparada nem queda relevante, o primeiro dia de negociação sinaliza um teste bem-sucedido da janela, ainda que sem apetite para euforia.
Então, para o mercado, o desempenho inicial do PicPay pode servir como termômetro para outras empresas brasileiras que avaliam abrir capital fora do país.