Investigação

Cade notifica Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) sobre acordo de codeshare

Contrato que permitia o compartilhamento de rotas e serviços entre as duas companhias é conhecido como codeshare

Gladstone Campos/Aena/Divulgação
Gladstone Campos/Aena/Divulgação

A SG/Cade (Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica) determinou nesta terça-feira (1), que um acordo entre as empresas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) deveria ter sido notificado à autarquia. O contrato que permitia o compartilhamento de rotas e serviços entre as duas companhias é conhecido como codeshare.

Anunciado em 2024, a decisão do Cade obriga as empresas a notificarem o fiscalizador em um período de até dois anos, com pena de multa caso descumpram a medida. Os negócios também não poderão criar rotas e modalidades sem antes indicarem a instituição.

A SG instaurou um processo investigativo chamado APAC (Procedimento Administrativo de Apuração de Ato de Concentração) para observar se houve consumação de concentração econômica. Caso as suspeitas se confirmem sendo anteriores ao Aval da superintendência, justifica-se a medida.

A precedência de informações para lucrar em operações é conhecida como gun jumping (se precipitar, na tradução do inglês). O acordo citado pode se enquadrar na categoria, contudo, o Cade arquivou o APAC, extinguindo a chance de as companhias sofrerem multa imediata.

Gol (GOLL4) tem prejuízo de R$5,1 bilhões e aprofunda crise interna

A companhia aérea Gol (GOLL4) anunciou nesta sexta-feira (30) que teve prejuízo líquido de R$5,1 bilhões no quarto trimestre de 2024. O resultado aprofunda em quatro vezes e meio o resultado negativo de 2023 da companhia. A companhia já está em recuperação judicial nos EUA e seu balanço foi divulgado na manhã desta sexta.

A Gol teve um Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) negativo de R$443 milhões, revertendo resultado positivo de 1,6 bilhões do quarto trimestre de 2023. A margem outrora crescente de 32% terminou em 2024 com saldo negativo em 8%. A piora nos números veio com a valorização do dólar ante o real no fim do ano passado.

A companhia teve crescimento na receita líquida de 9,5%, a R$5,52 bilhões, mas os custos e despesas operacionais dispararam quase 69% no período, a R$6,5 bilhões, pressionados por salto de 96% na linha de prestação de serviços. O material de manutenção e reparo teve crescimento de 39%.

A empresa que está em processo de fusão com sua antiga rival Azul viu sua frota reduzir de 141 para 138 aeronaves no intervalo de um ano com o encerramento de 2024.