
A Capital One anunciou a compra da Brex por US$ 5,15 bilhões nesta quinta-feira (22). A fintech foi fundada pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras. Com o negócio, o banco norte-americano amplia sua atuação em cartões corporativos, pagamentos e gestão de despesas.
O anúncio ocorreu junto à divulgação dos resultados do quarto trimestre da Capital One. No período, o banco reportou lucro líquido de US$ 2,1 bilhões, o dobro do registrado um ano antes. Do valor da transação, metade será paga em dinheiro e metade em ações.
Mercado reage com cautela ao anúncio
Apesar dos resultados robustos, o mercado reagiu de forma negativa ao M&A. No after hours, as ações da Capital One chegaram a cair 5%. Ainda assim, encerraram a sessão estendida com recuo de 3,2%. Atualmente, a instituição possui valor de mercado próximo de US$ 150 bilhões.
Esse movimento ocorre logo após outra aquisição relevante. No ano passado, a Capital One fechou a compra da Discover Financial por US$ 35 bilhões. Com isso, ganhou escala e acesso direto a uma rede própria de cartões, que concorre com Visa e Mastercard.
Brex nasceu no Vale e cresceu com startups
A Brex surgiu em 2017, no Vale do Silício. Inicialmente, oferecia cartões corporativos para startups que não conseguiam crédito nos grandes bancos. Com o tempo, a empresa passou a atender grandes companhias, sobretudo do setor de tecnologia.
Na fundação, Franceschi e Dubugras tinham 20 e 21 anos. Desde o início, a ambição era clara. Segundo o The Information, os fundadores diziam que estavam “disruptando” a American Express. A senha do Wi-Fi do escritório, inclusive, era “BuyAmex”.
Valuation abaixo do pico gera debate
O valor pago pela Capital One representa menos da metade do valuation de US$ 12,3 bilhões alcançado pela Brex em uma rodada realizada em 2022. Por isso, investidores que entraram mais tarde podem sofrer haircut.
Ainda assim, o preço supera os US$ 3,9 bilhões atribuídos à empresa no mercado secundário, segundo dados da Caplight citados pelo The Information. Em comparação, a Ramp, concorrente criada dois anos depois, foi avaliada em US$ 32 bilhões em rodada recente.
“O ecossistema achou o valor baixo, principalmente diante da comparação com a Ramp. Ainda assim, esses fundadores construíram um negócio bilionário nos EUA”, afirmou um gestor brasileiro de venture capital.
Rentabilidade ainda era um desafio
Não há confirmação pública de que a Brex tenha atingido o breakeven. Dois anos atrás, a empresa consumia cerca de US$ 17 milhões por mês. Naquele momento, o caixa garantiria fôlego até março de 2026, segundo o The Information.
Desde a fundação, a Brex levantou aproximadamente US$ 1 bilhão em equity. Investidores iniciais, como Ribbit Capital, Y Combinator, Kleiner Perkins, DST Global, além de Peter Thiel e Max Levchin, viram o capital multiplicar mais de 700 vezes, segundo o TechCrunch.
Fundadores seguem na liderança
Antes da Brex, Franceschi e Dubugras fundaram a Pagar.me, vendida à Stone, liderada por André Street.
Os dois atuaram como co-CEOs até 2024. Depois disso, Dubugras assumiu o cargo de chairman. Franceschi segue como CEO e permanecerá no comando após a conclusão do negócio.
Disputa por clientes corporativos ganha viés tecnológico
Segundo o The Wall Street Journal, a compra ocorre em um momento de transformação no mercado corporativo. Softwares de gestão de gastos, pagamentos e banking integrado passaram a ser a principal porta de entrada do relacionamento bancário.
“A Brex criou a combinação integrada de cartões, gestão de despesas e banking em uma única plataforma”, afirmou Richard Fairbank, fundador e CEO da Capital One.
Fechamento e assessores
A conclusão da transação está prevista para o meio do ano, condicionada às aprovações usuais. O Bank of America assessorou a Capital One. Então, a Brex contou com assessoria do Centerview Partners, além dos escritórios Wilson Sonsini e Simpson Thacher.