
O empresário baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, passou a ser o principal foco de atenção do governo federal no caso envolvendo o Banco Master. Ex-sócio de Daniel Vorcaro, ele deve prestar depoimento à Polícia Federal no fim de janeiro.
Segundo apuração da CNN Brasil, integrantes do Palácio do Planalto acompanham de perto o caso. A preocupação é que as declarações de Lima atinjam diretamente o núcleo político da atual gestão.
Histórico com o PT na Bahia
A relação de Guga Lima com o petismo baiano começou entre 2017 e 2018. Na época, Jaques Wagner comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia e Rui Costa era governador do Estado.
Nesse período, Lima venceu a licitação da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), conhecida como Cesta do Povo. A partir disso, criou o CredCesta, um cartão de crédito consignado voltado a servidores públicos, com juros abaixo da média de mercado.
O modelo ganhou escala, foi replicado em outros estados e se tornou um dos principais ativos do Banco Master.
Relação com o Banco Master
Guga Lima entrou na sociedade do Banco Master em 2020, levando o CredCesta para a instituição. No entanto, interlocutores afirmam que a relação com Vorcaro nunca foi próxima.
Segundo pessoas ouvidas pela CNN Brasil, foi o próprio Lima quem pediu para deixar a sociedade, em maio de 2024. A decisão ocorreu após ele tomar conhecimento, por terceiros, de operações conduzidas por Vorcaro.
A defesa sustenta que a saída aconteceu antes das suspeitas envolvendo a tentativa de venda do banco ao BRB.
Atuação atual e preocupação política
Após deixar o Master, Lima assumiu o controle do então Banco Voiter, que passou a se chamar Banco Pleno em agosto de 2025. Atualmente, a instituição administra o CredCesta.
Fontes próximas à investigação avaliam que Lima, mais do que Vorcaro, pode ligar o caso Master ao núcleo do governo Lula. O então motivo seria seu histórico institucional com governos petistas na Bahia.
Ainda assim, essas fontes destacam que o empresário mantém relações políticas amplas. Ele também dialoga com nomes da direita baiana, como ACM Neto e João Roma.
Estratégia de defesa
Aliados afirmam que Guga Lima não pretende firmar acordo de colaboração premiada. Segundo eles, o empresário se considera injustiçado.
A defesa sustenta que a operação teria sido motivada por incômodo de parte do setor financeiro com o sucesso do CredCesta. Pois, A estratégia será reforçar o desligamento do Banco Master em maio de 2024 e afastar qualquer vínculo com irregularidades posteriores.