Veja o resumo da noticia
- A Fictor Invest comunicou aos investidores a decisão de promover o distrato da Sociedade em Conta de Participação (SCP).
- SCP é um modelo de investimento onde investidores aportam capital em projetos mantendo o anonimato público.
- Em então recuperação judicial, investidores em SCP podem ter posição menos favorável em relação a outros credores.
- O comunicado da Fictor sobre o distrato omite prazos, valores e procedimentos para o reembolso dos investidores.

Logo após apresentar à Justiça um pedido de recuperação judicial, a Fictor enviou aos investidores um comunicado. Nele, avisa que fará o distrato do contrato usado para captar recursos. A mensagem foi enviada no domingo (1º/2).
“Por meio do presente, Fictor Invest, na qualidade de sócia ostensiva, vem, formalmente, comunicar a decisão de promover o distrato da Sociedade em Conta de Participação”, diz o texto.
As Sociedades em Conta de Participação (SCPs) eram o carro-chefe da Fictor. O grupo ganhou visibilidade após afirmar que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. O então anúncio ocorreu na véspera de uma operação que prendeu dirigentes da instituição.
O que é uma SCP e como ela funciona
A SCP permite que investidores aportem capital em um projeto sem aparecer publicamente. Quem administra e responde por obrigações é o sócio ostensivo, no caso, a própria Fictor.
Na prática, investidores assinavam contratos para virar sócios participantes. Muitos também chamam essa figura de “sócio oculto”. Em troca, recebiam a promessa de retornos fixos, que variavam conforme o valor aplicado.
Por que a SCP muda o jogo na recuperação judicial
Quando uma empresa pede recuperação judicial, a posição do investidor importa. Em SCP, o participante não entra como “cliente” comum. Ele aparece como sócio do arranjo.
Isso pode empurrar o investidor para uma posição menos favorável. Em muitos cenários, ele fica atrás na fila de recebimento. Além disso, o sócio ostensivo concentra a responsabilidade pela gestão e pelas dívidas.
O distrato piora a incerteza
O comunicado da Fictor anuncia o distrato. Porém, não informa prazos de devolução. Também não detalha valores. E não explica o procedimento para reembolso.
Com isso, o cenário fica mais nebuloso para quem aportou dinheiro. O investidor deixa de olhar só para o contrato. Pois Agora, ele depende do que a Justiça aceitar no processo. E do que a empresa incluir no plano.