
Um processo administrativo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aponta a existência de irregularidades sistemáticas nas operações de crédito consignado do Banco Master. O destaque está para ausência de documentação de 251.718 contratos supostamente firmados com beneficiários da Previdência Social.
O órgão elaborou o relatório em novembro do ano passado e analisou a regularidade do acordo de cooperação técnica firmado entre o instituto e a instituição financeira.
INSS aponta ausência de mais de 250 mil contratos
De acordo com o documento, o Banco Master deixou de encaminhar ao INSS 251.718 documentos que comprovariam a formalização de contratos de crédito consignado. Pois, a ausência dessa documentação inviabiliza a verificação da regularidade das operações e levanta dúvidas sobre os mecanismos de controle adotados pelo banco.
A análise foi conduzida pela Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão, em conjunto com as áreas responsáveis pelo pagamento e gestão de benefícios, e encaminhada à presidência do INSS.
Acordo exige comprovação formal das operações de crédito
O acordo de cooperação técnica permite que instituições financeiras ofereçam empréstimos consignados a aposentados e pensionistas, com desconto direto no benefício previdenciário. Em contrapartida, os bancos devem manter documentação completa, auditável e disponível para fiscalização.
Segundo os técnicos do INSS, a não apresentação dos contratos compromete a rastreabilidade das operações e pode expor beneficiários a riscos relacionados a descontos indevidos.
Banco Master não se manifestou sobre o relatório
Procurado pela reportagem, o Banco Master não respondeu aos questionamentos sobre o conteúdo do processo administrativo nem explicou a ausência da documentação referente aos mais de 250 mil contratos apontados no relatório.
O caso surge em um contexto de maior escrutínio sobre o mercado de crédito consignado, segmento que concentra elevado volume de reclamações.