
Investidores que já receberam o limite de R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CDBs do Banco Master não terão direito a novos pagamentos relativos a aplicações feitas no Will Bank após 30 de agosto de 2024.
Isso ocorre porque, nessa data, o Banco Master incorporou oficialmente a fintech. Desde então, o FGC passou a considerar as duas instituições como um único conglomerado financeiro para fins de cobertura. Na prática, isso reduz a proteção para parte dos investidores.
O que muda antes e depois da incorporação
Quem investiu em CDBs do Will Bank antes de agosto de 2024 mantém o direito ao limite de R$ 250 mil de forma independente. Pois, essa regra vale mesmo para quem também possui aplicações no Banco Master.
Já os investimentos feitos após a incorporação, registrada no Diário Oficial, entram no cálculo consolidado do conglomerado. Contudo, quem já atingiu o teto de ressarcimento com o Master não recebe valores adicionais do Will, independentemente do montante aplicado.
Congelamento atinge outros produtos financeiros
A liquidação de um banco não paralisa apenas os CDBs. Outros produtos financeiros também ficam bloqueados, como:
- conta corrente e poupança;
- RDBs (Recibos de Depósito Bancário);
- Letras de Crédito Imobiliário (LCI);
- Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).
Com a liquidação decretada, o Banco Central nomeia um liquidante. Ele assume o controle da instituição, apura ativos e passivos e monta a lista de credores. Então, dsse documento é enviado ao FGC para viabilizar os pagamentos.
Entenda a liquidação do Will Bank
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank nesta quarta-feira (21). A decisão veio após meses de Regime Especial de Administração Temporária (RAET) e da incapacidade da fintech de honrar compromissos operacionais, como pagamentos à Mastercard.
Quando liquidou o Banco Master, em novembro de 2025, o BC tentou preservar o Will Bank. A estratégia incluía uma possível venda da fintech. No entanto, a ausência de interessados e a deterioração financeira tornaram a liquidação inevitável.
Estimativas do mercado indicam que o custo adicional ao FGC com o Will Bank pode superar R$ 6,3 bilhões. Com isso, o impacto total do conglomerado Master pode se aproximar de R$ 47 bilhões.
Como funciona o ressarcimento
Quando o saldo do cliente fica dentro do limite do FGC, o pagamento ocorre mesmo que a liquidação se estenda no tempo. O ressarcimento não depende da venda imediata dos ativos do banco.
Já os credores sem garantia específica, como saldos acima de R$ 250 mil, entram em etapas posteriores. Eles só recebem se houver recursos após a quitação das prioridades legais. Em alguns casos, o pagamento pode ser parcial ou demorar anos.