
Antes de o nome de Augusto Lima aparecer entre os investigados da Operação Compliance Zero, a Justiça de São Paulo já havia determinado o bloqueio de recursos milionários vinculados ao ex-sócio do Banco Master. A decisão foi tomada em abril de 2025, no âmbito de uma disputa judicial envolvendo a venda de uma instituição financeira ao grupo.
Na ocasião, o Judiciário encontrou mais de R$ 112 milhões aplicados em uma conta mantida na Reag Trust DTVM, empresa que acabou sendo liquidada pelo Banco Central meses depois e se tornou alvo da segunda fase da operação conduzida pela Polícia Federal.
Disputa judicial antecedeu investigações criminais
Os antigos controladores do Banco Voiter acionaram a Justiça para executar a dívida, e o juiz determinou o bloqueio após a venda da instituição ao Banco Master, em 2024. Os autores do processo pediram o congelamento de bens para garantir o pagamento de um passivo estimado em R$ 470,5 milhões.
A ordem partiu da 22ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que autorizou a restrição dos valores encontrados em nome dos executivos envolvidos. A medida, no entanto, teve caráter temporário e foi suspensa após oito dias, quando as partes chegaram a um acordo inicial.
Recursos estavam pulverizados, mas concentrados na Reag
Durante a apuração patrimonial, a Justiça localizou valores distribuídos em diferentes instituições financeiras. Ainda assim, a Reag Trust concentrava a parcela mais relevante dos recursos vinculados a Augusto Lima.
Os levantamentos apontaram aplicações também em bancos tradicionais e até valores residuais em outras plataformas financeiras, o que evidenciou uma estrutura pulverizada de contas, mas com forte concentração em um único veículo.
Crescimento acelerado da Reag entrou no radar das autoridades
A Reag Investimentos ganhou protagonismo no mercado financeiro ao registrar um crescimento acelerado na Faria Lima, principal polo financeiro do País. Entre 2020 e 2025, o patrimônio sob gestão saltou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões, movimento que chamou a atenção do setor.
Com o avanço das investigações da Polícia Federal, esse crescimento passou a ser analisado sob outra ótica. A Compliance Zero ampliou o foco sobre estruturas financeiras complexas e eventuais conexões com práticas ilícitas.
Operação atinge empresários e amplia escopo
O fundador da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos por determinação do Supremo Tribunal Federal. A operação também alcançou o empresário Nelson Tanure, conhecido por investimentos em companhias em situação financeira delicada.
Segundo os investigadores, a nova fase busca mapear fluxos financeiros, relações societárias e possíveis irregularidades envolvendo fundos, instituições financeiras e executivos do mercado.
Banco Central cita violações graves
Em comunicado oficial, o Banco Central afirmou que a liquidação extrajudicial da Reag ocorreu devido a graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. O órgão não detalhou os ilícitos, mas destacou riscos à regularidade das operações e à supervisão do mercado.
As apurações seguem em curso e avaliam possíveis crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e manipulação de mercado, em um caso que pode ter desdobramentos relevantes para o sistema financeiro brasileiro.