
As ações da Netflix recuam quase 5% no mercado desta quarta-feira (21) após a empresa detalhar sua ofensiva bilionária para adquirir os ativos da Warner Bros. Discovery.
A queda veio mesmo após a divulgação de um balanço acima das expectativas de receita em um dos trimestres mais fortes da companhia. Para o mercado, porém, o foco deixou de ser o desempenho operacional e passou a ser o risco financeiro do negócio.
Investidores questionam custo e retorno da aquisição
A Netflix ofereceu US$ 82,7 bilhões em dinheiro pelos estúdios, catálogo e operações de streaming da Warner. Para viabilizar a transação, a empresa já garantiu um empréstimo-ponte de US$ 59 bilhões e ampliou o valor em mais US$ 8,2 bilhões.
Além disso, a companhia informou que suspenderá o programa de recompra de ações. Também reconheceu US$ 60 milhões em custos financeiros ligados à estruturação do negócio.
Esses fatores aumentaram a percepção de alavancagem e pressionaram o papel, mesmo com guidance operacional considerado sólido.
Analistas veem risco de diluição e pressão no caixa
Segundo analistas, o mercado teme que o alto desembolso comprometa a flexibilidade financeira da empresa nos próximos anos. O receio é que o retorno do investimento leve mais tempo do que o esperado, especialmente em um cenário de juros elevados e crescimento mais moderado do streaming global.
Embora reconheçam o valor estratégico do catálogo da Warner, investidores passaram a exigir maior clareza sobre sinergias, cronograma de integração e geração de caixa.
Risco regulatório também entra no preço
Outro fator que pesou sobre as ações foi a expectativa de forte escrutínio regulatório. Aquisições dessa magnitude tendem a enfrentar resistência de autoridades antitruste, o que pode atrasar ou até modificar os termos do acordo.
Para o mercado, o risco não está apenas na aprovação, mas no custo político e financeiro de um processo prolongado.
Desempenho recente ainda sustenta visão construtiva
Apesar da reação negativa, o papel acumula alta de cerca de 19% nos últimos 12 meses. Parte dos analistas segue com visão construtiva, apostando que a expansão de margens e os ganhos de eficiência podem compensar os riscos no médio prazo.
Ainda assim, no curto prazo, o mercado sinaliza claramente: o custo da ambição estratégica passou a pesar mais do que o crescimento entregue.