Real Madrid
Foto: Divulgação Real Madrid

Após investir mais de € 1 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) para transformar o Santiago Bernabéu em uma arena multifuncional, o Real Madrid passou a enfrentar um novo risco financeiro. Agora, uma decisão judicial ameaça o plano de monetização do estádio. Um juiz espanhol indiciou o clube por suposto excesso de ruído em shows realizados no local, o que pode limitar eventos e travar receitas fora do futebol.

A decisão foi assinada em 15 de janeiro pela juíza Mónica Aguirre de Cuesta. Segundo ela, há indícios de que os limites legais de som foram ultrapassados nos eventos analisados. Ainda assim, o Ministério Público precisa decidir se apresenta denúncia formal ou se arquiva o processo.

Reforma bilionária do Bernabéu entra no centro da disputa

O caso atinge diretamente um dos maiores investimentos da história do clube. Entre 2019 e 2024, o Real Madrid destinou mais de € 1 bilhão à modernização do estádio.

Além das melhorias esportivas, o projeto buscou ampliar o uso do Bernabéu como ativo gerador de caixa. A ideia era explorar shows, eventos corporativos e experiências de entretenimento ao longo do ano, mesmo sem partidas.

Esse modelo é estratégico. Diferentemente de outros gigantes europeus, o Real Madrid não pertence a investidores bilionários nem a conglomerados empresariais. Assim, depende fortemente da própria capacidade de gerar receitas recorrentes.

Shows e protestos colocam receitas fora do futebol sob pressão

Após a conclusão das obras, o estádio passou a receber grandes shows internacionais, como apresentações de Taylor Swift. No entanto, esses eventos provocaram reação imediata dos moradores do bairro de Chamartín, região nobre e residencial de Madri.

Com o tempo, as reclamações se intensificaram. Moradores organizaram protestos, acionaram a Justiça e pressionaram a prefeitura. Como resultado, o grupo “Vizinhos Afetados pelo Bernabéu” formalizou queixas alegando impacto sonoro recorrente e prejuízo à qualidade de vida.

Suspensão de eventos afeta plano de monetização

Diante da pressão judicial e das multas administrativas, o Real Madrid decidiu suspender temporariamente os shows no estádio. Enquanto isso, o clube avalia soluções técnicas para melhorar o isolamento acústico da arena.

Na prática, essa decisão interrompe uma fonte relevante de receita adicional. Isso ocorre justamente em um momento em que clubes europeus buscam reduzir a dependência de direitos de transmissão e bilheteria tradicional.

Além disso, projetos complementares, como estacionamentos subterrâneos previstos no entorno do estádio, também foram paralisados. Com isso, o impacto financeiro indireto se amplia.

Modelo de negócios pode exigir ajustes

Como o clube depende fortemente da geração de caixa própria, a exploração comercial do Bernabéu é um pilar central da estratégia financeira. Por isso, qualquer restrição permanente a eventos representa um risco relevante ao modelo de negócios.

Caso o processo avance, o Real Madrid pode ter de limitar o número de shows, arcar com novos custos operacionais ou investir ainda mais em adequações técnicas. Tudo isso reduz o retorno esperado sobre o investimento bilionário.

Decisão amplia incerteza sobre retorno do investimento

Se o Ministério Público levar o caso adiante, o clube poderá enfrentar multas adicionais, custos legais e restrições definitivas ao uso do estádio para eventos. Além disso, o episódio serve de alerta para outras arenas urbanas que apostam em modelos semelhantes de monetização.

O desfecho do processo será decisivo. Ele indicará se o Bernabéu conseguirá cumprir seu papel como motor de receitas recorrentes ou se parte do investimento precisará ser reavaliada diante de novas limitações regulatórias e urbanas.