
Dias antes de acabar preso pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro firmou um empréstimo bancário de R$ 86 milhões com o BTG Pactual.
A operação acabou em 14 de dezembro e, três dias depois, o empresário acabou detido no avanço das investigações que miram irregularidades financeiras no chamado caso Banco Master.
O contrato previa a cobrança de 100% do CDI (Depósito Interbancário), acrescido de 12% ao ano, uma taxa elevada que chamou a atenção do mercado. Até o momento, o motivo exato da transação não foi esclarecido.
Defesa cita venda do banco e reação do BC
De acordo com a defesa, no dia da prisão Vorcaro estaria a caminho da assinatura da venda do Banco Master.
O plano, no entanto, não se concretizou. Após o episódio, o Banco Central do Brasil iniciou o processo de liquidação das operações da instituição.
A decisão teve efeito imediato sobre investidores. Com o congelamento de garantias, cerca de 1,6 milhão de aplicadores ficaram sem acesso aos rendimentos de CDBs, ampliando a tensão em torno do caso.
Modelo de CCB acelera cobrança do crédito
De acordo com a Folha de S.Paulo, os contratos entre o BTG e o Master seguiram o modelo de Cédula de Crédito Bancário (CCB). Os títulos, no valor total de R$ 86 milhões, tinham vencimento em 26 de dezembro.
A CCB é uma modalidade comum no mercado financeiro por permitir execução mais rápida em caso de inadimplência, o que reforça o caráter preventivo da operação para o credor.
FGC e disputa judicial ampliam impacto
Enquanto o imbróglio avança, 1,6 milhão de investidores aguardam o ressarcimento de até R$ 41 milhões via Fundo Garantidor de Créditos, com expectativa de pagamento em janeiro de 2026.
Paralelamente, a família Rezende Barbosa, ex-controladora do Banco Voiter, cobra na Justiça R$ 247 milhões referentes a acordos da venda da instituição ao Master, realizada em 2024. O caso adiciona uma nova camada de pressão jurídica ao processo.