Imagem realista e profissional retratando o ambiente sofisticado dos family offices em Wall Street. Três executivos — dois homens e uma mulher — discutem estratégias financeiras em uma sala de reuniões de alto padrão, com ampla vista panorâmica para o skyline de Nova York, incluindo a One World Trade Center. Ao fundo, a famosa placa da Wall Street reforça o poder e influência desse tipo de gestão patrimonial. A mesa de reunião exibe documentos com gráficos, copos de água e notebooks, representando decisões financeiras de alto nível. A composição simboliza o crescimento e a centralização de poder dos family offices no mercado financeiro global, especialmente nos EUA.
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Os family offices deixaram de ser estruturas discretas e passaram a ocupar um papel central no ecossistema financeiro dos Estados Unidos.

Criados para administrar o patrimônio e a vida financeira de famílias ultrarricas, esses escritórios hoje movimentam trilhões de dólares. Dessa forma, eles ampliam sua presença em negociações estratégicas, rivalizando com grandes fundos e investidores institucionais.

O avanço é expressivo. Estimativas da Deloitte indicam que famílias atendidas por family offices administravam cerca de US$ 5,5 trilhões recentemente. O valor representa um salto relevante em relação a cinco anos atrás.

Além disso, a projeção aponta para US$ 6,9 trilhões ainda neste ano e mais de US$ 9 trilhões até 2030, o que colocaria essas estruturas à frente dos fundos hedge em volume de recursos sob gestão.

O que são family offices e por que crescem tanto

Na prática, os family offices funcionam como o cérebro financeiro das grandes fortunas. Eles cuidam dos investimentos, da organização patrimonial, do planejamento sucessório e até de tarefas operacionais do cotidiano financeiro das famílias.

Esse modelo ganhou força à medida que patrimônios elevados passaram a demandar soluções mais personalizadas, flexíveis e de longo prazo.

Embora o conceito não seja novo, a expansão recente chama atenção. Hoje, existem mais de 8 mil single-family offices no mundo, número que cresce de forma acelerada e deve ultrapassar 10 mil até o fim da década, segundo dados do setor.

Além disso, os multifamily offices, que atendem diversas famílias simultaneamente, também avançam e ampliam o acesso a esse tipo de gestão patrimonial.

Por que Wall Street disputa a atenção dessas famílias

O crescimento dos family offices transformou essas estruturas em alvos prioritários de bancos, gestores e empresas em busca de capital.

Diferentemente de fundos tradicionais, esses escritórios operam com menos amarras regulatórias e maior liberdade para assumir posições concentradas ou investimentos de longo prazo.

Portanto, na prática, isso significa mais paciência para atravessar ciclos econômicos, maior tolerância à volatilidade e capacidade de disputar ativos relevantes com gigantes do mercado financeiro.

Sendo assim, esse comportamento tem impacto direto sobre setores estratégicos da economia americana, como tecnologia, energia, inteligência artificial, saúde e infraestrutura.

Liberdade de decisão e impacto nos investimentos

Uma das principais diferenças dos family offices em relação a outros investidores é a autonomia. Sem a necessidade de prestar contas a uma base ampla de cotistas, essas estruturas tomam decisões alinhadas exclusivamente aos objetivos das famílias que representam.

Essa liberdade permite estratégias pouco comuns no mercado tradicional, como manter participações por décadas, evitar instrumentos de proteção financeira e apostar de forma direta em empresas específicas. Para companhias em busca de capital paciente, os family offices se tornaram parceiros cada vez mais relevantes.

Muito além dos investimentos financeiros

Além da alocação de recursos, os family offices concentram praticamente toda a vida financeira e patrimonial das famílias. Eles administram pagamentos, ativos espalhados pelo mundo, compra e financiamento de bens de alto valor, como aeronaves e embarcações, e até serviços ligados a viagens, arte e filantropia.

O tamanho das equipes varia bastante. Alguns escritórios operam com poucos profissionais, enquanto outros contam com dezenas ou centenas de especialistas, incluindo gestores patrimoniais, advogados, consultores de arte e profissionais dedicados à governança familiar.

Family offices e o futuro do capital global

À medida que essas estruturas crescem, seu impacto na economia global se torna mais evidente. A circulação desse capital influencia decisões corporativas, acelera projetos em setores emergentes e redefine o equilíbrio de forças em Wall Street.

Com mais recursos sob gestão, maior articulação entre famílias e apetite por oportunidades exclusivas, os family offices consolidam sua posição como um dos principais vetores de poder financeiro da próxima década.