Trinus vê bom momento para novos negócios imobiliários

“Landtech” quer aproveitar cenário de incertezas do mercado para unir forças com empreendedores

Trinus vê bom momento para novos negócios imobiliários
Foco da Trinus está no consumidor final (Pixabay)

Fundada em 2009, a Trinus – que se autodenomina uma “landtech” – oferece uma plataforma tecnológica de mercado financeiro e imobiliário. De acordo com Henrique Bomomi, líder de atendimento da Trinus, o cenário macro atual, apesar de complexo, é bom para a criação de novas parcerias e oportunidades no mercado imobiliário.

Durante um encontro realizado nesta quarta-feira (17) com agentes da SVN Investimentos, escritório credenciado à XP, Bomomi afirmou ao BP Money que enxerga um cenário macro muito complexo. 

“Apesar de ser um cenário de dificuldade, a gente vê que esse é um momento de criar oportunidade. Esse cenário difícil gera bons negócios. Estamos otimistas porque nosso modelo de negócio só a gente que faz. Então esse é o momento que vemos que é hora de achar bons parceiros, bons empreendedores, para passar esse momento difícil com bons parceiros e boas oportunidades. Vemos como uma oportunidade boa nesse cenário difícil”, destacou Bomomi.

A grande sacada da Trinus em relação ao mercado imobiliário foi pensar em sair do eixo Rio-São Paulo, onde os principais players têm grande atuação, como MRV, Gafisa, Tecnisa e Cyrela, por exemplo. 

A ideia da Trinus é oferecer ao empreendedor o que ele não possui. Entre os serviços oferecidos pela landtech estão: governança e controle, contabilidade, controladoria, auditoria, funding, crédito estruturado e mercado de capitais. 

“A Trinus viu nascer soluções para o mercado imobiliário olhando para o mercado de capitais. Pensamos: ‘porque a gente não leva esta solução de crédito, de funding, para o interior, para outras capitais?’, e aí a resposta foi ‘não dá pra levar porque o empreendedor regional não tem condições de ter um backoffice organizado, não tem uma auditoria, não tem como garantir para os cotistas que os empreendimentos a mil quilômetros de distância estarão sendo executados de forma correta”, disse Deives Oliveira, head de relacionamento e atendimento.

“Aí o Diego Siqueira – CEO da Trinus – voltou para Goiás e pensou em montar seu próprio fundo, sua própria empresa e levou essa dita governança que tanto os fundos daqui falam que o interior não tem para lá”, explicou Deives Oliveira, head de relacionamento e atendimento”, complementou Siqueira.

Na plataforma da Trinus, o cliente pode ser atendido como investidor, empreendedor (desenvolvedor/incorporador), corretor de imóveis e imobiliária ou comprador final do imóvel. A empresa oferece novas formas para investir, desenvolver, adquirir ou vender imóveis.

“Diego era um dos fundadores do fundo Habitat, se uniu a pessoas do mercado e fez a gente chegar nesse patamar”, complementou. 

Apesar de ter várias vertentes de negócios, a Trinus mira sempre o consumidor final. “Não dá pra captar dinheiro de fundo imobiliário, construir e não vender. Então o foco é o consumidor final”, disse Deives Oliveira. 

Por isso, a Trinus busca encontrar empreendedores locais/regionais, que conhecem do segmento e trabalham com empreendimentos imobiliários há muito tempo. Segundo Oliveira, essas pessoas sabem sempre qual é o melhor produto da região. 

“Um empreendedor regional é o cara que sabe fazer. Quero ir lá complementar esse empreendedor, não substituí-lo. Às vezes a gente chega em uma praça e o pessoal é resistente. A gente quer unir forças e levar soluções para que o empreendedor suba um degrau”, disse Oliveira. 

Oliveira também explicou que o termo landtech foi criado pela própria empresa, uma vez que o negócio da companhia é único.

“Somos a primeira landtech, a união de fintech, lawtech e as proptechs. Nós mesmos demos esse nome. Montamos uma plataforma tecnológica, que oferece funding, serviços financeiros e também gestão imobiliária”, afirmou. 

A Trinus conta com 600 profissionais em seu time, atualmente, e possui R$ 2 bilhões sob gestão. Seu principal fundo, hoje, é o TGAR11 (TG Ativo Real) listado na bolsa de valores de São Paulo (B3). O FII TG Ativo Real foi constituído em dezembro de 2016.

Segundo Deives Oliveira, a empresa que tem sede em Goiânia foi elogiada por Beto Sicupira por seu modelo de negócios, um dos homens mais ricos do Brasil e do mundo.

“Beto Sicupira não se limita só ao Brasil e diz sempre que, no Brasil, não precisamos inventar nada. É só ir lá fora, onde estão mais avançados do que no Brasil, copiar e fazer funcionar com eficiência. Mas ele disse para nós que o que a Trinus está fazendo não existe em lugar nenhum e nós realmente inventamos algo novo”, disse Oliveira.

O executivo da Trinus contou que, em 2019, Diego Siqueira (CEO da Trinus) conheceu um sócio-fundador da Stone, e em determinado momento ele disse que gostou muito do negócio e que queria comprar 20% da empresa, mas para isso ele só entraria com outros sócios. Os outros sócios, entretanto, eram nada mais nada menos que Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. Em 2019, o trio adquiriu 20% da Trinus.

Como a Trinus rentabiliza seu negócio? 

De acordo com Henrique Bomomi, líder de atendimento da Trinus, toda operação que a empresa entra, ela busca uma “TIR (taxa interna de retorno) esperada” do empreendimento. 

“A TIR esperada é aquela taxa interna de retorno. Isso quer dizer que é o dinheiro que eu coloco, que volta rentabilizado com o tempo. Através desse ganho, eu vou tanto me remunerar quanto vou distribuir para o cotista no final do dia. É uma alavancagem para a gente ganhar mais rápido, ter esse retorno financeiro mais rápido e conseguir distribuir, porque querendo ou não a atividade fim do meu negócio é distribuir dividendo pro meu cotista”, disse Bomomi da Trinus.