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Brasília (DF), 26/10/2023, Prédio do Banco Central em Brasília. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O Banco Central já liquidou seis instituições financeiras ligadas ao caso Master. Além disso, a mais recente foi o Will Bank, decretada nesta quarta-feira, 21.

Portanto, em apenas dois meses, a crise financeira derrubou meia dúzia de bancos. Consequentemente, milhares de clientes enfrentam bloqueios e prejuízos financeiros.

Lista completa das liquidações

Veja todas as instituições que o BC liquidou desde novembro:

  1. Banco Master S/A (novembro de 2025)
  2. Banco Master de Investimento S/A (novembro de 2025)
  3. Banco Letsbank S/A (novembro de 2025)
  4. Master S/A Corretora de Câmbio (novembro de 2025)
  5. Reag Trust Distribuidora (janeiro de 2026)
  6. Will Bank (janeiro de 2026)

Como começou a crise

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central deu início à sequência de liquidações. Nessa data, o órgão derrubou quatro instituições do conglomerado Master de uma vez.

O BC liquidou o Banco Master S/A, o Banco Master de Investimento S/A, o Banco Letsbank S/A e a Master Corretora. Dessa forma, o grupo financeiro praticamente desmoronou em questão de horas.

Reag Trust: a quinta vítima

Posteriormente, em 15 de janeiro de 2026, a Reag Trust Distribuidora caiu. Entretanto, a instituição tinha ligação direta com as fraudes do Master.

Fundos que a Reag administrava estruturaram operações fraudulentas com o Banco Master. Essas operações ocorreram entre julho de 2023 e julho de 2024. Além disso, movimentaram milhões de reais irregularmente.

Segundo o Banco Central, as operações desrespeitavam normas do Sistema Financeiro Nacional. Ademais, apresentavam falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.

O BC repassou essas informações ao Tribunal de Contas da União (TCU). Portanto, a irregularidade ganhou dimensão de investigação federal e pode resultar em novas punições.

Will Bank: a sexta baixa

Menos de uma semana depois, o Banco Central liquidou o Will Bank. Assim, a decisão veio na quarta-feira, 21 de janeiro, surpreendendo o mercado.

A autoridade monetária baseou a liquidação em três fatores principais. Primeiramente, o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição estava evidente.

Em segundo lugar, o banco enfrentava insolvência grave. Em terceiro lugar, o Will Bank mantinha vínculo de interesse com o Banco Master, já sob liquidação.

O Banco Central identificou que o Master exercia poder de controle sobre o Will Bank. Consequentemente, ficou clara a conexão entre as instituições e o risco sistêmico.

Mastercard suspende pagamentos

Um quarto fator pesou na decisão final: o Will Bank descumpriu obrigações com a Mastercard. Dessa forma, o banco não honrou a grade de pagamentos em 19 de janeiro de 2026.

Consequentemente, a bandeira suspendeu o uso dos cartões de forma imediata. Portanto, milhares de clientes ficaram sem poder fazer compras de um dia para o outro.

Exemplo prático: Ana tentou usar o cartão Will Bank no domingo, 19. Entretanto, a transação foi negada sem explicação. No dia seguinte, o BC decretou a liquidação e tudo ficou claro.

Impacto nos clientes

As seis liquidações afetam milhares de pessoas diretamente. Além disso, clientes do Will Bank, Master e Letsbank enfrentam bloqueios em contas e saldos.

Os cartões deixaram de funcionar imediatamente. Ademais, os saldos ficaram travados até que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) entre em ação.

O FGC garante valores até R$ 250 mil por CPF em cada instituição. Portanto, quem tinha menos que isso consegue recuperar tudo rapidamente.

Entretanto, valores acima desse limite entram no processo de liquidação judicial. Assim, a recuperação pode ser parcial e demorar meses ou até anos.

Investigações continuam

As autoridades seguem investigando o caso Master intensamente. Dessa forma, novas revelações podem surgir nos próximos meses sobre outros envolvidos.

Além disso, o BC não descarta que outras instituições sejam afetadas pela crise. Portanto, o órgão monitora possíveis vínculos com bancos ainda ativos no mercado.

Consequentemente, clientes de fintechs e bancos digitais devem ficar atentos. Verificar a saúde financeira da instituição é fundamental antes de concentrar recursos.

O que fazer se você é cliente

Se você mantinha conta em algum banco liquidado, siga estes passos imediatamente:

1. Verifique seu saldo Primeiramente, confira quanto tinha na conta antes do bloqueio.

2. Acesse o FGC Em seguida, se tinha até R$ 250 mil, solicite ressarcimento pelo aplicativo do fundo.

3. Guarde documentos Além disso, extratos e comprovantes são essenciais para comprovar valores posteriormente.

4. Acompanhe comunicados Portanto, fique atento aos canais oficiais do BC e do liquidante nomeado.

5. Evite golpes Por fim, só acesse sites e aplicativos oficiais. Ademais, desconfie de promessas de recuperação rápida.

Finalmente, considere diversificar seus recursos financeiros. Ou seja, não concentre todo o dinheiro em uma única instituição bancária.