Reviravolta no Perse

Deputada anuncia decisão da Justiça para suspender fim do Perse

Entidade ingressou com liminar na Justiça para impedir que o governo encerre o programa emergencial antes do prazo determinado

Foto: Edu Mota / Brasília
Foto: Edu Mota / Brasília

A deputada Bia Kicis (PL-DF) anunciou, no início da noite desta quarta-feira (2), durante votação no plenário da Câmara, que a Justiça Federal concedeu uma liminar que interrompe a suspensão imediata do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).

Segundo a deputada, a liminar foi apresentada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

A entidade contestou na Justiça Federal a decisão da Receita Federal, tomada no mês de março, de declarar o fim da aplicação da alíquota reduzida para os tributos federais previstos no Perse, com efeitos iniciados desde esta terça, 1º de abril. 

A liminar foi concedida pelo juiz do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) Itagiba Catta Pretta Neto, e a princípio, terá efeito inicialmente para bares e restaurantes no Distrito Federal.

Justiça avalia insegurança jurídica

A liminar da Abrasel cita a insegurança jurídica causada pelo encerramento do programa, assim como outros fatores que prejudicam as empresas do setor, como as limitações ao direito adquirido. 

Em sua argumentação, a entidade afirma que o benefício fiscal foi concedido com prazo determinado, no caso de 60 meses, e ele não poderia ter sido revogado antes do fim do prazo. 

“Eu parabenizo a Abrasel por esta conquista, por esta vitória, e vamos continuar na luta pela segurança jurídica dos pagadores de impostos desse país, e contra as violações ao direito adquirido”, disse a deputada do PL do DF. 

Histórico do Perse

O Perse foi instituído por meio da lei 14.148 de 2021, buscando assegurar medidas emergenciais e temporárias para o setor de eventos durante a pandemia da covid. 

A medida foi adotada porque empresas do setor ficaram paradas durante a crise sanitária em razão de longos períodos em que aglomerações eram proibidas. 

O socorro às empresas se deu a partir de renegociação de dívidas, indenizações e isenções tributárias.

A Receita Federal anunciou o encerramento do Perse alegando que o programa atingiu no final do mês de março o limite de renúncia fiscal, de R$ 15 bilhões.

Na prática, o valor disponível se esgotou antes do prazo final, que era o ano de 2027. A partir desse mês de abril, empresas de eventos, turismo e alimentação voltaram a pagar impostos que haviam sido suspensos.