Veja o resumo da noticia

  • Fundado como Banco Renner em 1981, o banco atuava no varejo com financiamento de veículos e crédito pessoal na cidade de Porto Alegre.
  • Em 2009, o Grupo Record adquiriu participação acionária, assumindo o controle total em 2020 e promovendo o rebranding para Banco Digimais.
  • O Digimais ajustou sua estratégia em 2024, encerrando serviços de conta digital para focar em crédito consignado e soluções para empresas.
  • Em 2025, negociações visam a aquisição pelo empresário Maurício Quadrado, integrando-o ao BlueBank com aporte de R$ 800 milhões.
  • O banco possui 100 mil clientes e R$ 9 bilhões em ativos, especializado em crédito consignado e financiamento de veículos no país.
Banco Digimais
Banco Digimais/Logo

O Banco Digimais é uma das instituições financeiras brasileiras que passaram por diferentes transformações ao longo das últimas décadas.

Foi fundado como um banco tradicional, mas a instituição evoluiu seu modelo de negócios e hoje atua com foco estratégico em crédito e varejo financeiro. Além, de continuar acompanhando o movimento de digitalização e reposicionamento do setor bancário no Brasil.

Origem e primeiros anos

Criado em 1981, em Porto Alegre (RS), com o nome de Banco Renner, foi idealizado pela família Renner (a mesma ligada à rede varejista). Em seus primeiros anos, operava como um banco de varejo convencional, com forte atuação em financiamento de veículos e créditos pessoais.

Edir Macedo e Grupo Record

O processo de transformação do banco ganhou força a partir de 2009, quando Edir Macedo adquiriu, inicialmente, 40% de sua participação acionária.

Com o aumento gradual dessa fatia, o Grupo Record assumiu o controle total da instituição em 2020, após autorização do Banco Central. Em julho daquele ano, o banco passou por um rebranding e deixou de se chamar Banco Renner, adotando oficialmente o nome Banco Digimais.

A mudança teve como objetivo reposicionar a marca e reforçar sua atuação como uma instituição voltada a soluções financeiras modernas e digitais, em um contexto de ampliação dos serviços online.

Banco Master

Nos anos seguintes, o Banco Digimais passou a adotar uma estratégia de crescimento mais agressiva.

Durante o processo de liquidação do Banco Master, a instituição ganhou destaque no mercado pela exposição a carteiras de crédito de bancos médios lastreadas em ativos de difícil precificação.

Nesse contexto, o Digimais adquiriu carteiras de crédito originadas pelo Banco Master e por sócios ligados à instituição. Atualmente, o banco disputa judicialmente cerca de R$ 600 milhões em ativos que, segundo auditorias independentes, apresentam falhas documentais relevantes e baixa qualidade econômica. Analistas do mercado comparam o cenário ao colapso do Will Bank.

A inadimplência do Digimais aumentou de forma expressiva no período pós-pandemia, pressionando o patrimônio da instituição e exigindo aportes recorrentes de capital para evitar uma situação de quebra técnica. Os números de 2022 foram especialmente negativos, com prejuízos estimados em cerca de R$ 744 milhões, segundo análises de risco divulgadas ao mercado.

Diante do agravamento financeiro, agências de classificação de risco rebaixaram a nota de crédito do banco. A continuidade das operações foi sustentada por sucessivas injeções de capital feitas por seus controladores, ligados ao empresário e líder religioso Edir Macedo.

Além do risco financeiro, o Digimais passou a enfrentar um crescente risco reputacional. Grandes investidores institucionais evitam associação com a instituição devido à ligação com a Igreja Universal e com Edir Macedo, o que encarece a captação de recursos e dificulta a formação de parcerias estratégicas.

Opção de compra

Em determinado momento, o Nubank chegou a avaliar a aquisição do Digimais, com interesse em créditos tributários e licenças bancárias. No entanto, a fintech desistiu da operação após concluir que a associação com o grupo religioso poderia gerar rejeição relevante entre seus clientes.

Outra tentativa de solução envolveu o projeto BlueBank, liderado por Maurício Quadrado, ex-executivo do Banco Master. A operação, contudo, foi vetada pelo Banco Central, que recusou a transferência de controle para um gestor ligado a uma instituição já marcada por problemas sistêmicos e suspeitas relevantes.

Aldemir Bendine

Sem a aprovação de compradores considerados técnicos pelo regulador, o Digimais recorreu a uma solução política ao nomear Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, como CEO.

A estratégia buscava fortalecer a articulação institucional em Brasília para administrar a crise e evitar uma intervenção mais abrupta.

Por fim, o quadro jurídico se agravou com o litígio envolvendo o fundo EXP 1. Auditorias apontaram que cerca de 42% das cédulas de crédito transferidas apresentavam pendências de lastro. O Digimais nega irregularidades, mas o mercado segue cauteloso quanto à qualidade efetiva desses ativos.

Atualmente, o Banco Central mantém o Digimais sob o que analistas classificam como um regime de “vigilância intensificada”. Após os casos do Banco Master e do Will Bank, a postura regulatória se tornou mais rígida.

A autoridade monetária passou a exigir marcação a mercado mais rigorosa dos ativos e pressiona por uma solução que não gere prejuízos aos depositantes.