
A indústria global de gestão de fortunas enfrenta seu maior teste: nas próximas duas décadas, cerca de US$84 trilhões devem passar das mãos dos baby boomers para millennials e geração Z.
O movimento representa não apenas uma mudança patrimonial, mas uma transformação completa nas preferências, linguagem e valores que orientam decisões de investimento. Para bancos privados e gestores de patrimônio, o cenário impõe um duplo desafio.
De um lado, precisam intensificar esforços para reter famílias atendidas há anos. De outro, disputam relevância diante de herdeiros que chegam com referências distintas: mas digitalizados, globalizados e sensíveis a temas como tecnologia, impacto climático e propósito nos investimentos.
A digitalização emerge como prioridade estratégica, mas o executivo Xavier Bonna, managing partner do Lombard Odier, banco suíço com mais de 225 anos de história e ativos superiores a 2 trilhões de reais sob gestão, ressalta que a tecnologia deve complementar, não substituir, o relacionamento humano.
A solução encontrada por instituições como o Lombard Odier passa por equipes multigeracionais: profissionais mais jovens conectando-se com herdeiros, enquanto banqueiros experientes mantêm diálogo com os patriarcas.
Outro fator pressiona o setor: o dinheiro ficou mais móvel, famílias mais ricas avaliam constantemente onde estabelecer residência, pensando não apenas no conforto e segurança, mas nos níveis tributários. Essa mobilidade exige que gestores mantenham expertise local em múltiplas jurisdições para acompanhar clientes em seus deslocamentos.