LOA

Haddad queria que Congresso discutisse Orçamento em 2024

A apreciação do relatório da Lei Orçamentária Anual ficou para o ano que vem

Haddad
Haddad / Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse que gostaria que o Congresso iniciasse as discussões sobre o Orçamento de 2025 ainda neste ano, em café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira (20).

“Mas não sei, não posso exigir mais que a capacidade de entrega do Congresso. O Congresso trabalhou dia e noite para poder fechar (o pacote), condição sem a qual a votação do orçamento era impossível, como vai votar sem saber o impacto do pacote sobre as rubricas”, disse Haddad.

A apreciação do relatório da LOA (Lei Orçamentária Anual) ficou para o ano que vem, segundo o relator, senador Angelo Coronel (PSD-BA). “Apreciar a peça mais importante do Parlamento merece cuidado e tempo”, justificou ele, em nota publicada nesta quinta-feira (19).

Assim, com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) já aprovada, o orçamento fica em execução provisória, com 1/12 do orçamento liberado para o ano até que a LOA seja aprovada.

Haddad disse que ainda não falou sobre o tema com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O ministro afirmou que precisa ligar para o senador e para o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para agradecer pela votação do pacote fiscal.

“Desejar (a votação do Orçamento), sim, mas eu não sei se regimentalmente se o Congresso terá condições. Torço para que sim, mas não posso adiantar”, disse o ministro, afirmando que a prioridade era o pacote fiscal.

Campos Neto e o adeus ao BC: relembre como foi mandato

Uma nova gestão de governança está prestes a começar no BC (Banco Central) com o fim do mandato do atual presidente, Roberto Campos Neto, e a chegada de Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária, ao cargo. Nos últimos 6 anos de gerência, Campos Neto enfrentou os cenários mais desafiadores e históricos que exigiram pulso do BC e deixará a cadeira com a avaliação dividida entre o mercado financeiro e alguns grupos políticos.

Campos Neto foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e iniciou sua jornada no BC em 2019. Na época, a Selic (taxa básica de juros) estava na casa dos 6,50% ao ano, um nível quase inimaginável diante do cenário atual. 

Além disso, quando chegou à autoridade monetária, o executivo era diferente também com a inflação, cujo medidor principal é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor). Naquele momento, o indicador de preços tinha meta de 4,25% para o ano, e conseguiu fechar o ano dentro do intervalo de tolerância, a 4,31%, o que deixou uma boa imagem inicial.

No entanto, a partir de 2020 a configuração da economia mundial sofreu uma mudança brusca, com a pandemia da Covid-19 forçando uma readaptação dos bancos centrais às novas dinâmicas dos indicadores econômicos. Porém, o mandato de Campos Neto, o primeiro sob um Banco Central independente, também foi pioneiro em iniciativas que destacaram o Brasil no âmbito financeiro.

Em paralelo a isso, a gestão do executivo estabeleceu uma agenda de inovação tecnológica que trouxe ao Brasil uma função inédita que transformou os métodos de pagamento: o PIX. A serviços, lançado em outubro de 2020, para fazer transferências instantâneas se tornou um dos principais meios de pagamentos dos brasileiros. 

Campos Neto já sinalizou, inclusive, que a agenda de inovação e tecnologia com a qual a autarquia trabalha atualmente deve seguir após a posse de Gabriel Galípolo.