Veja o resumo da noticia

  • Cenário de 2026 marcado por juros elevados e inflação persistente impulsiona investidores a buscarem ativos estruturais de longo prazo.
  • Infraestrutura, energia e tecnologia estratégica se destacam com retornos superiores aos índices tradicionais entre 2021 e 2026.
  • ETFs de energia e urânio, infraestrutura e inteligência artificial apresentam desempenhos notáveis no período analisado.
  • A busca por proteção e ativos reais se intensifica, refletindo uma mudança significativa nas estratégias de alocação de capital.
  • Entrada massiva em ETFs de commodities evidencia preocupações com o endividamento e a necessidade de descorrelação de portfólio.
  • Volatilidade do Ibovespa em anos eleitorais reforça o interesse por ETFs com exposição internacional como hedge cambial.
Global X ETFs
Global X ETFs

São Paulo, janeiro de 2026 – Com juros globais ainda em níveis elevados, e projeções de encerramento do ano em 3,25% nos Estados Unidos, além de uma inflação persistente estimada em 2,8%, o início de 2026 indica uma mudança clara no posicionamento dos investidores institucionais.

O foco agora recai sobre ativos estruturais, intensivos em capital e com demanda de longo prazo, segundo análise do estudo Charting Disruption 2026, elaborado pela Global X ETFs em parceria com a Bloomberg Media Studios.

De acordo com o levantamento, a migração de capital para infraestrutura, energia e tecnologia estratégica se consolidou neste ciclo. Diferentemente de períodos anteriores, esses temas passaram a apresentar desempenho superior aos índices tradicionais. Além disso, deixando de ser apenas apostas futuras para se tornarem vetores efetivos de retorno.

Entre 2021 e 2026, enquanto o S&P 500 acumulou um retorno total de 93,71%, estratégias ligadas à disrupção estrutural registraram resultados significativamente superiores:

  • Energia e urânio: o Global X Uranium ETF (URA/BURA39) apresentou retorno total de 324,64% no período.
  • Infraestrutura: o setor de desenvolvimento de infraestrutura nos EUA, representado pelo Global X U.S. Infrastructure Development ETF (PAVE/BPVE39), acumulou 134,84%.
  • Inteligência artificial: consolidada como vetor estrutural, a temática registrou retorno total de 84,99% por meio do Global X Artificial Intelligence & Technology ETF (AIQ/BAIQ39), sustentando a demanda por semicondutores e data centers.

A busca por proteção e ativos reais, segundo a gestora, deixou de ser apenas uma tese defensiva e passou a representar um movimento massivo de alocação.

ETFs

Apenas nos últimos três meses, os ETFs de commodities da Global X nos Estados Unidos receberam US$ 3 bilhões em entradas líquidas.

“O investidor entra em 2026 buscando menos previsões e mais estratégia. A entrada massiva em commodities reflete o receio com o endividamento das grandes economias. E, a necessidade de descorrelação dentro do portfólio, para reduzir impactos em momentos de mudança de humor do mercado”, afirma Flávio Vegas, especialista de produtos da Global X.

Para o investidor brasileiro, o cenário é ainda mais desafiador. Dados históricos compilados pela Bloomberg mostram que o Ibovespa tende a registrar picos de volatilidade em anos de eleições presidenciais, o que reforça o interesse por ativos internacionais como forma de diversificação e proteção cambial.

“Acreditamos que ETFs com exposição internacional ganharão ainda mais força, funcionando tanto como hedge cambial quanto como acesso estruturado a tendências globais”, comenta Vegas.

Segundo ele, o atual ciclo favorece quem se posiciona em temas estruturais antes que eles se reflitam integralmente nos indicadores macroeconômicos.

Em um ambiente marcado por riscos fiscais, conflitos geopolíticos e maior cautela, os ETFs se consolidam como um dos principais veículos para navegar a incerteza. Isso, ao oferecer diversificação, liquidez e eficiência operacional em um único produto negociado em bolsa.