Veja o resumo da noticia

  • Polícia Civil desmantela central de golpes financeiros na Avenida Faria Lima, utilizando a localização para legitimar as operações fraudulentas.
  • A estrutura contava com cerca de 100 funcionários, mais de 400 computadores e visava, principalmente, pessoas idosas com falsas promessas.
  • Criminosos enviavam mensagens simulando ordens judiciais e ameaças de bloqueio de CPF, direcionando as vítimas para ligações.
  • O grupo se apresentava como setores de cobrança, jurídico e judiciário para extorquir dinheiro das vítimas sob ameaças.
Central de golpes Faria Lima
Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil de São Paulo desarticulou, na quinta-feira (22), uma central de golpes que operava em um prédio comercial na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na Zona Oeste da capital. A região é um dos principais polos financeiros do país e foi usada para dar aparência de legalidade ao esquema.

Segundo a investigação, a base reunia cerca de 100 funcionários e contava com mais de 400 computadores usados nas fraudes. Ao menos 12 pessoas foram detidas durante a ação. Quatro mulheres, apontadas como líderes da operação, foram presas por suspeita de associação criminosa e liberadas após pagamento de fiança. Outros dez suspeitos também foram conduzidos à delegacia.

 Foto: Divulgação/Deic

De acordo com a polícia, o grupo mirava principalmente idosos. Os criminosos usavam dados obtidos de forma ilícita para abordar as vítimas com promessas de recuperar “créditos podres” ou “limpar o nome”. Na prática, convenciam as pessoas a pagar valores que não eram devidos.

O golpe começava com o envio em massa de mensagens que simulavam ordens judiciais e alertas de bloqueio de CPF. Em seguida, as vítimas eram direcionadas para ligações telefônicas.

Durante o contato, os operadores se apresentavam como integrantes dos setores de cobrança, jurídico ou até do Judiciário e faziam ameaças de penhora, protesto e bloqueio de bens ou benefícios. Com medo, as vítimas acabavam transferindo dinheiro aos falsos cobradores.

As apurações mostram que os envolvidos criaram uma rede de empresas para sustentar o esquema. As companhias compartilhavam sócios, endereços e dados operacionais e contábeis, e algumas estavam registradas em nome de laranjas.

No endereço da Faria Lima, funcionava uma empresa “híbrida”: parte da equipe realizava cobranças legítimas, enquanto outra se dedicava exclusivamente às fraudes.

No local, os policiais apreenderam documentos usados nos contatos com as vítimas e identificaram a existência de uma estrutura tecnológica robusta, com servidores próprios. A operação, batizada de Título Sombrio, foi conduzida por agentes da 4ª Delegacia da DCCIBER, ligada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Além da base na capital, a polícia cumpriu diligências em Carapicuíba, na Grande São Paulo, onde outra unidade do grupo funcionava. As investigações continuam para identificar novas vítimas e possíveis envolvidos no esquema.