
A discussão sobre a Groenlândia voltou ao centro do debate em Washington após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que sua equipe voltou a avaliar formas de adquirir a ilha, hoje pertencente à Dinamarca.
De acordo com autoridades norte-americanas, opções como compra direta voltaram à mesa, ainda que o cenário político seja sensível.
A ilha tem cerca de 57 mil habitantes e ocupa posição estratégica no Ártico. O debate não inclui um preço oficial, mas análises recentes mostram que os valores variam conforme o critério usado.
Quanto vale a Groenlândia: estimativas e metodologias
Nos últimos anos, especialistas apresentaram estimativas com grande amplitude. Um cálculo divulgado por um blog do Financial Times avalia a “soma das partes” da riqueza de recursos naturais ainda não explorados e chega a cerca de US$ 1 trilhão.
Além disso, há estimativas mais conservadoras. Um estudo de Jacob Jensen, do American Action Forum, considera o valor de mercado de reservas minerais como neodímio, grafite e lítio e aponta algo próximo de US$ 200 bilhões, levando em conta restrições ambientais à exploração de petróleo e gás.
Sendo assim, quando entram no cálculo o valor militar e a proximidade de rotas marítimas do Ártico, a estimativa sobe para cerca de US$ 2,8 trilhões.
Comparações históricas: Alasca e ofertas anteriores
O cientista político Noel Maurer compara a possível aquisição da Groenlândia à compra do Alasca, em 1867. Na época, os EUA pagaram US$ 7,2 milhões. Atualizado pela metodologia histórica, isso equivaleria hoje a cerca de US$ 24 bilhões.
Os EUA já fizeram ofertas formais pela ilha. Em 1868, o valor proposto foi de US$ 5,5 milhões.
Em 1946, a proposta chegou a US$ 100 milhões, o que corresponde hoje a cerca de US$ 1,6 bilhão após ajuste pela inflação. Considerando o PIB norte-americano da época, esse montante equivaleria a US$ 12,9 bilhões em valores atuais.
Recursos naturais, Ártico e cadeias globais
Integrantes do governo norte-americano defendem que a Groenlândia é relevante por suas reservas de gás natural, petróleo, terras raras e cobre.
Hoje, grande parte do fornecimento global de minerais estratégicos vem da China, o que mantém a ilha no centro de debates sobre segurança de suprimentos.
O Financial Times destaca que, no longo prazo, a região pode fornecer neodímio, grafite e lítio, insumos usados em baterias e tecnologias de energia limpa, com impacto em cadeias produtivas ligadas a empresas como a Tesla.
Valor geopolítico e posição estratégica
Para Barry Scott Zellen, pesquisador de geopolítica do Ártico, a discussão sobre a compra “tem lógica histórica e geopolítica que vai além de valores comerciais”.
Ele observa que a aquisição unificaria áreas do Ártico sob proteção constitucional dos EUA, reduzindo riscos históricos observados durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria, quando a defesa da ilha ficou sob responsabilidade norte-americana.
Resistência local e posição da Otan
Apesar das análises, a Groenlândia afirma de forma recorrente que não deseja integrar os Estados Unidos. A posição conta com apoio de líderes da OTAN, o que adiciona uma camada diplomática relevante ao debate.
Em suma, o valor da Groenlândia depende do critério adotado: recursos naturais, segurança, logística do Ártico ou precedentes históricos. Dessa forma, o tema segue como um ponto sensível na geopolítica do Norte global.