Foto: Divulgação Bahamas Hotel Club
Foto: Divulgação Bahamas Hotel Club

O empresário Oscar Maroni, proprietário do Bahamas Hotel Club, morreu na manhã desta quarta-feira (31), em São Paulo, aos 74 anos. A confirmação foi feita pela administração do estabelecimento, que informou a suspensão temporária das atividades, com retomada prevista para sábado (2). O velório será restrito a familiares e amigos próximos.

Figura conhecida da noite paulistana, Maroni construiu uma trajetória marcada por polêmicas judiciais, embates políticos e forte exposição midiática. Ao longo de décadas, tornou-se um dos nomes mais emblemáticos do entretenimento adulto na capital, defendendo publicamente a liberdade de expressão e um modelo de negócios que frequentemente colocava seus empreendimentos no centro do debate público.

Disputas judiciais e reviravoltas

Maroni chegou a ser preso por determinação judicial e solto cerca de um mês depois, sob acusação de explorar a prostituição no Bahamas, prática que é crime no Brasil quando há exploração, embora a prostituição em si não seja ilegal. O empresário sempre negou as acusações, afirmando que não promovia a atividade e que não poderia impedir a entrada de garotas de programa no local.

Em 2011, foi condenado a 11 anos de prisão por exploração da prostituição, mas não chegou a ser detido naquele momento. Dois anos depois, em 2013, o Tribunal de Justiça o absolveu da acusação de favorecimento à prostituição. No mesmo ano, após seis anos fechado, o Bahamas reabriu com autorizações judiciais e da prefeitura para funcionar como hotel e prestador de serviços “pessoais e estéticos”.

“Eu não sou bandido, marginal ou cafetão. O Bahamas é um bar frequentado por homens, mulheres e casais. O sabor da justiça é maravilhoso”, declarou Maroni à época.

Conflitos com o poder público

Outro episódio marcante envolveu o então prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Após o acidente aéreo da TAM em 2007, a prefeitura cassou o alvará do Oscar’s Hotel, também de propriedade de Maroni, alegando riscos à segurança do Aeroporto de Congonhas devido à proximidade do prédio. O empresário reagiu com críticas públicas à decisão, intensificando o embate com a gestão municipal.

Em 2008, Maroni concorreu a vereador pelo PTdoB (atual Avante), obtendo 5.804 votos e não sendo eleito. Ele próprio descreveu a candidatura como um protesto político e uma estratégia de visibilidade.

Exposição midiática e episódios recentes

Em 2014, participou da sétima edição do reality show A Fazenda, exibido pela Record TV, sendo o primeiro eliminado da temporada. Já em 2021, durante a pandemia de Covid-19, foi multado após a realização de uma festa clandestina no hotel, quando uma fiscalização encontrou dezenas de pessoas sem máscara em meio às restrições sanitárias.

Legado

Em nota oficial, a administração do Bahamas destacou o perfil provocador e a defesa da liberdade individual como marcas da atuação de Maroni. “Oscar viveu intensamente, fiel às suas convicções. Mais do que um empresário, foi alguém que marcou seu tempo”, diz o comunicado.

Com uma carreira atravessada por controvérsias, decisões judiciais e forte presença na mídia, Oscar Maroni deixa um legado que ajudou a moldar, e desafiar, os limites do entretenimento noturno em São Paulo.