
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos EUA foi o primeiro grande evento geopolítico de 2026 a ganhar repercussão global. O episódio surpreendeu mercados e governos, mas não passou despercebido por um indicador informal que, curiosamente, costuma antecipar momentos de crise: o chamado Pentagon Pizza Index.
Conhecida também como “teoria da pizza do Pentágono”, a lógica é simples. Em noites de tensão, equipes do governo e da área de defesa entram em regime de plantão prolongado. Com pouca margem para sair dos prédios, cresce a demanda por comida rápida e fácil de distribuir, especialmente pizza. Quando isso acontece fora do padrão, algo relevante pode estar em curso.
Um sinal indireto de crise
O índice não aponta qual operação está sendo preparada nem suas motivações. Ele apenas sinaliza que o comportamento normal mudou. Picos incomuns de pedidos em pizzarias próximas ao Pentágono indicam que há movimentação atípica em órgãos de segurança.
Esse padrão ganhou notoriedade ao longo das décadas e passou a ser observado como um “termômetro” informal de noites fora do comum em Washington.
Pizza e grandes eventos históricos
O fenômeno está longe de ser novidade. Relatos remontam aos anos 1980 e 1990, período da Guerra Fria, quando franqueados da Domino’s Pizza na região notaram aumentos súbitos de pedidos antes de eventos internacionais relevantes.
Há registros de picos de demanda antes da invasão do Kuwait pelo Iraque, em 1990, quando a CIA teria feito pedidos incomuns em uma única noite. Episódios semelhantes foram associados a ações militares em Granada, no Panamá, à Guerra do Golfo e até ao impeachment do ex-presidente Bill Clinton em 1998.
Internet, dados abertos e OSINT
Com a popularização da internet e de ferramentas de dados públicos, o monitoramento ganhou sofisticação. Analistas independentes passaram a usar conceitos de OSINT (Open Source Intelligence), cruzando informações acessíveis ao público para identificar padrões.
Hoje, observadores acompanham dados do Google Maps, especialmente a função Popular Times (horários de pico), para identificar movimentações fora do normal em pizzarias e bares da região de Washington. Contas especializadas nas redes sociais e até painéis dedicados, como o PizzINT, surgiram para compilar esses dados em tempo real.
Os próprios criadores desses projetos ressaltam que se trata de uma ferramenta informal, sem caráter oficial, usada mais como curiosidade analítica do que como fonte de decisão.
O caso Maduro e o novo alerta
Foi exatamente esse tipo de sinal que antecedeu a operação envolvendo Maduro. Horas antes do anúncio oficial, observadores registraram um salto expressivo na movimentação de pizzarias próximas ao Pentágono, enquanto bares apareciam abaixo do padrão, um indício clássico de noites de trabalho intenso.
Na madrugada em que os EUA confirmaram a operação, os dados mostraram picos bem acima da média histórica, reacendendo o debate sobre a curiosa correlação entre pizza e decisões estratégicas.
Não se trata de causalidade. A pizza não provoca crises nem operações militares. O que ela revela é uma mudança de comportamento, e, em ambientes de poder, mudanças abruptas costumam anteceder fatos relevantes.
O episódio reforça como padrões aparentemente triviais podem, quando observados com atenção, oferecer pistas indiretas sobre movimentos de grande escala no tabuleiro geopolítico.