Prédio do Banco Central em Brasília. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Prédio do Banco Central em Brasília. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A ata do Copom divulgada nesta terça-feira (3) detalhou o recado que o Banco Central já havia deixado no comunicado: o comitê pretende iniciar um ciclo de flexibilização monetária em março, mas não promete ritmo fixo. O BC afirmou que a magnitude e a duração do corte de juros “serão determinadas ao longo do tempo”, conforme novas informações entrem no radar.

Na reunião de 27 e 28 de janeiro de 2026, o colegiado manteve a Selic em 15% ao ano e reforçou que seguirá com juros restritivos até consolidar a desinflação e melhorar a ancoragem das expectativas.

Sinais mistos travam um “piloto automático” para os cortes

O documento explica por que o BC evita um roteiro fechado. Segundo a ata, indicadores mostram moderação da atividade, mas o mercado de trabalho segue resiliente. Esse contraste dificulta enxergar tendências claras para preços.

Por isso, o comitê defende cautela. A ata repete a ideia de que o juro precisa permanecer em terreno contracionista “por mais tempo” do que em ciclos anteriores, porque as expectativas ainda ficam acima da meta.

Inflação desacelera, mas expectativas ainda incomodam

O texto reconhece arrefecimento do IPCA cheio e de medidas subjacentes. O BC cita câmbio mais apreciado e commodities mais comportadas como forças que ajudaram bens e alimentos. Já serviços recuam, mas com mais resistência.

Ao mesmo tempo, o Copom enfatiza um ponto sensível: com expectativas desancoradas, a economia “cobra” uma política monetária mais dura e prolongada. Isso afeta o custo de desinflação.

Projeção do BC: IPCA em 3,4% em 2026 no cenário de referência

No cenário de referência descrito na ata, o comitê projetou inflação de 3,4% em 2026 e de 3,2% no 3º tri de 2027, o horizonte relevante para a política monetária.

A ata também detalha premissas do cenário, como câmbio partindo de R$ 5,35 e hipótese de bandeira tarifária amarela em dezembro de 2026.

Fiscal entra como variável de prêmio de risco

O Copom voltou a ligar política fiscal e inflação. A ata afirma que o fiscal impacta a demanda no curto prazo e, no longo, mexe com percepção de dívida e com o prêmio da curva de juros.

Nesse ponto, o documento defende previsibilidade e coordenação entre políticas econômica e monetária.

Quem participou da reunião

A ata registra a presença do presidente do comitê, Gabriel Muricca Galípolo, e dos demais diretores do Banco Central do Brasil no encontro.