
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (3), detalhou os fatores que levaram o Banco Central a manter a Selic em 15% ao ano. Ao mesmo tempo, o documento sinalizou o início do ciclo de cortes a partir de março. A ata reforça que a política monetária seguirá restritiva por um período prolongado. Isso deve ocorrer até que inflação e expectativas convirjam de forma mais consistente para a meta de 3%.
O pano de fundo da decisão combina desaceleração gradual da atividade e inflação em processo de arrefecimento. Apesar disso, os preços ainda seguem acima da meta. O mercado de trabalho também permanece resiliente.
Diante desse cenário, o Copom evitou compromissos explícitos sobre o ritmo da flexibilização. O comitê destacou que a magnitude e a duração do ciclo dependerão da evolução dos dados.
Leitura do mercado: cenário-base segue em 50 pontos-base
Na avaliação de Natalie Victal, a ata manteve tom neutro em relação ao comunicado. Ainda assim, reforçou elementos centrais da estratégia do Copom.
Segundo a economista, ao deixar em aberto o ritmo e o tamanho do ciclo, o BC preserva flexibilidade. Ao mesmo tempo, a unanimidade em torno de uma Selic restritiva limita o debate sobre taxas terminais mais baixas.
Nesse contexto, Victal avalia que o documento fortalece o cenário-base do Boletim Focus. A referência segue sendo um corte inicial de 50 pontos-base. Para ela, o Banco Central optou por não sinalizar que a alternativa de 25 pontos-base esteja definida como estratégia. A decisão reflete cautela diante de um ambiente inflacionário ainda complexo.
No cenário da SulAmérica Investimentos, a Selic encerra 2026 em 13%.
Política monetária segue condicionada aos dados
Leitura semelhante aparece na análise de Pablo Spyer. Para ele, a ata confirma o início do ciclo em março. Ao mesmo tempo, afasta qualquer interpretação de cortes automáticos.
O documento reconhece avanços no processo de desinflação. Esses avanços são suficientes para iniciar a flexibilização. No entanto, o texto deixa claro que o ritmo será gradual e dependente dos dados.
Segundo Spyer, ao afirmar que a magnitude e a duração do ciclo serão definidas ao longo do tempo, o BC condiciona decisões futuras. Os principais condicionantes são a ancoragem das expectativas de inflação e a moderação do mercado de trabalho.
A estratégia busca evitar a reversão dos ganhos desinflacionários recentes.
Visão mais conservadora projeta início com 25 bps
Uma leitura mais cautelosa aparece na avaliação de Rodrigo Marques. Para ele, a ata sustenta a expectativa de um início de ciclo mais contido.
Segundo Marques, o Copom deve começar com cortes de 25 pontos-base. A condução seguiria com reavaliação a cada reunião.
O foco explícito na convergência das expectativas para o centro da meta reforça uma estratégia incremental. Nesse desenho, o economista projeta 25 pontos-base em março. Há espaço para movimento semelhante em abril, caso o cenário inflacionário confirme essa trajetória.