Na avaliação do atual presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, o processo de transição de comando na autarquia com o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Gabriel Galípolo, demonstra que a característica técnica da autoridade monetária permanece, afirmou nesta sexta-feira (20).
Além disso, Campos Neto também disse que a autonomia formal do BC foi um ganho e colocou a instituição à frente de pessoas, ideologias, governos e do tempo da política.
O chefe do BC, cujo mandato chegará ao fim oficial em 31 de dezembro, esteve na live promovida pelo BC para balanço de sua gestão e despedida de seu comando na autarquia.
Defensor de que o status da autarquia avance para uma autonomia financeira, além da operacional, Campos Neto avaliou que a evolução dessa discussão não está concluída, de acordo com a “Reuters”.
A partir do final de semana o presidente do BC estará de férias e será substituído interinamente até o final do ano pelo diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, que toma posse em 1º de janeiro.
Campos Neto diz que demanda por dólar foi maior que o esperado
O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira (19) que o movimento de alta do dólar nas últimas semanas é oriundo de uma demanda maior que o esperado. Segundo ele, isso ocorre em um momento em que as remessas de dividendos por empresas para o exterior e de recursos de pessoas físicas ao exterior seguem recebendo a atenção do mercado.
Campos Neto afirma, entretanto, que o BC atua para conter eventuais disfuncionalidades e não para “proteger um nível de câmbio”. Além disso, a autoridade pontuou que a intervenção cambial não tem relação com o tema de dominância fiscal.
“A demanda [por dólares] foi muito maior do que esperávamos. Mas não existe um desejo do Banco Central de proteger nenhum nível de câmbio. O Banco Central tem muita reserva e vai atuar quando achar necessário”, disse Campos Neto, de acordo com informações da revista Exame.
Até o momento, o BC já injetou mais de US$ 20 bilhões no mercado desde 12 de dezembro. No total, US$ 13 bilhões foram injetados em leilões à vista, e o restante, em leilões de linha, com o objetivo de recompra.