
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha anunciou que pretende disputar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026. A decisão marca mais uma tentativa de retorno ao Congresso após derrotas eleitorais, cassação de mandato e reveses judiciais ao longo da última década.
O anúncio ocorreu por meio das redes sociais e rapidamente repercutiu no meio político, sobretudo pela escolha de Minas como novo domicílio eleitoral.
Minas Gerais entra no centro da estratégia eleitoral
Ao explicar a decisão, Cunha afirmou que Minas Gerais reúne características econômicas, sociais e regionais que refletem o Brasil como um todo. Segundo ele, o estado tem peso estratégico no debate político nacional e costuma antecipar tendências eleitorais.
Hoje, Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. Para Cunha, no entanto, esse peso não se traduz em influência política proporcional no cenário nacional.
Críticas à gestão estadual e discurso de reposicionamento
Em suas declarações, o ex-deputado criticou administrações estaduais anteriores. Ele avaliou que Minas perdeu protagonismo político nos últimos anos e defendeu que sua candidatura pode recolocar o estado no centro das decisões nacionais.
A estratégia passa por dialogar com um eleitorado amplo, diverso e considerado decisivo em disputas de alcance nacional.
Tentativa de retorno após derrota em São Paulo
A movimentação ocorre depois de uma tentativa frustrada de retorno em 2022. Naquele ano, Cunha concorreu a uma vaga na Câmara por São Paulo, mas não se elegeu. Agora, aposta em um eleitorado que considera mais simbólico e estratégico para seu reposicionamento político.
Passagem pela Câmara e histórico judicial
Eduardo Cunha presidiu a Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016, período marcado pelo processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Posteriormente, a Casa cassou seu mandato em meio às investigações da Operação Lava Jato.
Em 2017, o então juiz Sergio Moro condenou Cunha a mais de 15 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em processos ligados a contratos da Petrobras no exterior. Parte dessas condenações acabou anulada em decisões posteriores.
Em 2023, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal determinou que um dos processos fosse remetido à Justiça Eleitoral, ao reconhecer mudança de competência.
Cenário político até 2026
A eventual candidatura de Cunha adiciona um novo elemento à disputa eleitoral em Minas Gerais. O movimento também reacende o debate sobre reabilitação política, memória do eleitorado e o peso do histórico judicial nas urnas.
Até 2026, o ex-deputado deve intensificar sua presença política no estado para viabilizar a candidatura.