
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) registrou em 2025 o maior gasto da série histórica com anúncios na internet. Ao todo, foram R$ 129,6 milhões destinados à publicidade digital, valor mais de três vezes superior ao investido em 2024, quando os desembolsos somaram R$ 44 milhões.
O salto expressivo marca uma mudança profunda na estratégia de comunicação do governo do presidente Lula, que passou a concentrar esforços nas plataformas digitais.
Google e Meta lideram repasses da publicidade oficial
Os maiores beneficiários do aumento de verbas foram as big techs. A Google recebeu R$ 39 milhões, enquanto a Meta ficou com R$ 35,8 milhões. Juntas, as duas companhias concentraram mais da metade de todo o orçamento digital da Secom no período.
Plataformas de vídeo curto também ganharam espaço na estratégia oficial. Kwai e TikTok aparecem na sequência como destinos relevantes da verba pública, refletindo a aposta do governo em formatos de maior engajamento.
Estratégia digital ganha força sob novo comando
A aceleração dos investimentos ocorreu após a chegada de Sidônio Palmeira ao comando da Secom. Marqueteiro histórico do PT, ele assumiu a pasta com a missão de reforçar a presença digital do governo.
Nos bastidores, a diretriz é clara: ocupar espaço, disputar atenção e reduzir a assimetria de alcance em um ambiente digital.
Governo cita programas sociais e combate à desinformação
Em nota, o governo afirma que o aumento dos gastos é necessário para divulgar políticas públicas, como o programa Pé-de-Meia, além de ações de utilidade pública. Outro argumento central é o combate à desinformação, apontado como um dos principais desafios institucionais no ambiente online.
Segundo a Secom, as campanhas digitais permitem segmentação mais precisa do público e melhor mensuração de resultados, o que justificaria a concentração de recursos nesse tipo de mídia.
Críticas miram ano pré-eleitoral e uso de verba pública
Apesar da justificativa oficial, o crescimento acelerado das despesas gerou críticas. Especialistas e opositores apontam que o volume de recursos pode indicar uma tentativa de reverter a queda de popularidade do governo às vésperas de um ano eleitoral, usando verba pública para reforçar imagem institucional.
O debate sobre os limites entre comunicação de governo e promoção política deve ganhar força à medida que o calendário eleitoral avança e os gastos com publicidade seguem em evidência.