Veja o resumo da noticia

  • Aumento da Dívida Pública Federal em 2025 atinge R$ 8.635,09 trilhões, o maior desde 2015, conforme Relatório Mensal da Dívida do Tesouro.
  • Ministro Haddad critica a qualidade do debate público sobre política fiscal no Brasil, então, alegando desinformação e baixa qualidade técnica.
  • Equipe econômica considera que a distorção no debate fiscal aumenta ruídos, afeta expectativas e impacta o mercado financeiro.
  • Haddad critica a herança fiscal do governo anterior, mencionando a PEC do Calote e o não pagamento de precatórios como fatores.
  • Reforma tributária sobre o consumo é destacada como o avanço mais relevante da gestão, com início da fase de testes em 2026.
  • Haddad ressalta a complexidade da dívida pública, que envolve juros, crescimento econômico, composição dos títulos e expectativas.
Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa do programa "Bom Dia, Ministro". (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elevou o tom nesta terça-feira (10) ao criticar o nível do debate público sobre política fiscal no Brasil. Segundo ele, o tema virou pauta diária no noticiário, mas frequentemente segue “monopolizado por desinformação”.

A então declaração foi feita durante o painel Cenário Econômico 2026, na CEO Conference Brasil 2026, evento promovido pelo BTG Pactual em São Paulo.

Debate fiscal no Brasil: Haddad cobra “qualidade técnica”

Para Haddad, a discussão fiscal, que tem dominado os últimos anos, perdeu densidade. “O tema [política fiscal] mais discutido nos últimos três anos é de baixa qualidade técnica”, afirmou o ministro.

Pois, na visão da equipe econômica, essa distorção aumenta ruído, mexe com expectativas e contamina o termômetro do mercado, que reage tanto à trajetória das contas públicas quanto à narrativa sobre elas.

Contas públicas e herança do governo anterior

No mesmo painel, Haddad voltou a criticar como as contas públicas chegaram ao início do Lula 3. Ele citou episódios como a chamada “PEC do Calote” e o não pagamento de precatórios, apontando que parte da pressão fiscal atual também nasce de decisões tomadas na gestão anterior.

Além disso, o ministro reforçou, ainda, que a leitura do fiscal não pode se limitar a manchetes: para ele, é preciso separar regra, execução e efeitos de medidas extraordinárias.

Reforma tributária: “o aspecto mais impressionante”, diz ministro

Ao fazer um balanço da gestão, Haddad destacou a reforma tributária sobre o consumo como o avanço mais relevante. Por isso, Em 2026, começa a fase de testes do novo sistema, com transição prevista até 2033.

Segundo o ministro, o resultado veio de uma construção conjunta entre o Congresso Nacional e a equipe econômica, um recado com duplo destino: política e mercado.

Dívida pública: “não é simples”

Haddad também afirmou que a dívida pública precisa ser analisada “na sua complexidade”. “Não é uma coisa simples”, disse, ao indicar que a trajetória do endividamento envolve fatores como juros, crescimento, composição dos títulos e expectativas.

Dados do Relatório Mensal da Dívida do Tesouro mostram que o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 18% em 2025, somando R$ 8.635,09 trilhões em dezembro. De acordo com o levantamento citado, foi o maior avanço desde 2015.