Otto Lobo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ao publicar o nome em edição extra do Diário Oficial da União, o governo surpreendeu o mercado, contrariou setores do Ministério da Fazenda e deu início ao processo de sabatina no Senado.

Lobo ocupava o comando da CVM de forma interina desde a saída antecipada de João Pedro Nascimento, em 2025. A indicação definitiva ocorre apenas sete dias após o fim de seu mandato como diretor, encerrado em 31 de dezembro.

Formação jurídica e trajetória profissional

Otto Lobo é advogado formado pela PUC-Rio, com doutorado em Direito Empresarial pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Direito pela Universidade de Miami, nos EUA. Além disso, ele é fundador do escritório Lobo & Martin Advogados e tem origem em uma família tradicional do Judiciário, com desembargadores entre seus parentes.

Antes de chegar à presidência interina da CVM, Lobo atuava como diretor do colegiado desde janeiro de 2022, quando assumiu um mandato-tampão em razão da saída do então diretor Henrique Machado.

Atuação na CVM e perfil no colegiado

No colegiado da CVM, Otto Lobo construiu a imagem de um dirigente cauteloso. O mercado aponta votos contraditórios em algumas decisões e critica seus pedidos frequentes de vista.

Essa postura técnica e conservadora agrada a uma ala que defende previsibilidade regulatória, mas também gera críticas de quem vê excesso de prudência em um ambiente que demanda respostas mais rápidas do regulador.

Indicação contrariou a Fazenda e surpreendeu o mercado

A escolha de Lobo dividiu o Ministério da Fazenda, ao qual a CVM é vinculada. Nos bastidores, a pasta defendia outros nomes para o comando da autarquia, como os advogados Ferdinando Lunardi e André Pitta, além da atual diretora Marina Copola, indicada ao colegiado pela própria Fazenda em 2023.

Fontes ouvidas afirmam que a área econômica perdeu a janela política para indicar um nome logo após a saída de João Pedro Nascimento. Desde então, Otto Lobo teria se fortalecido em Brasília, ampliando apoios no Congresso e no Judiciário, o que pavimentou o caminho para sua confirmação.

Mandato até 2027 e próximos passos

Caso tenha o nome aprovado pelo Senado, Otto Lobo permanecerá à frente da CVM até julho de 2027, concluindo o mandato originalmente atribuído a Nascimento. Pois, antes disso, ele e o advogado Igor Muniz, indicado para a diretoria da autarquia, passarão por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pelo plenário do Senado.