
O mercado financeiro brasileiro passou por uma transformação profunda na última década, e os números da assessoria de investimentos ajudam a explicar esse movimento. Entre 2016 e 2025, o número de assessores de investimento no país cresceu 502%, saltando de 4.565 para 27.515 profissionais ativos, segundo o relatório anual consolidado da ANCORD.
Apenas em 2025, o avanço foi de 3,25% em relação ao ano anterior, sinalizando que a profissão segue em expansão mesmo após um ciclo intenso de crescimento. Hoje, 20.171 assessores estão vinculados a instituições financeiras, o que reforça o papel cada vez mais relevante desses profissionais na intermediação entre investidores e o mercado de capitais.
Expansão acompanha amadurecimento do investidor brasileiro
O crescimento da base de assessores acompanha a maior sofisticação do investidor no Brasil. Com mais pessoas acessando produtos como renda fixa, fundos, ações e previdência privada, a demanda por orientação especializada aumentou de forma consistente.
Segundo Rafael Furlanetti, presidente da ANCORD, a capilarização do atendimento é um dos principais vetores dessa expansão.
“Temos assessores de investimento em todo o território nacional, responsáveis por oferecer um atendimento de qualidade aos investidores, de forma próxima e alinhada às realidades regionais de um país com dimensões continentais”, afirmou.
Sudeste lidera, mas Sul amplia participação
O relatório mostra que a profissão segue concentrada nos grandes centros financeiros, mas com avanço relevante em outras regiões.
- Sudeste: São Paulo lidera com 11.030 assessores, mantendo a maior base do país
- Sul: participação subiu de 23,8% para 24,3%, totalizando 6.686 profissionais
- Nordeste: Bahia concentra 562 assessores
- Centro-Oeste: Goiás lidera a região, com 599 profissionais
- Norte: Pará se destaca, com 170 assessores
O movimento indica maior descentralização do acesso ao mercado financeiro, especialmente fora do eixo Rio-São Paulo.
Educação e tecnologia impulsionam entrada na profissão
A ANCORD atribui parte relevante desse crescimento aos investimentos em modernização de processos, tecnologia e educação profissional. Nos últimos quatro anos, a consolidação do Exame de Certificação em formato online ampliou o acesso à carreira em todas as regiões do país.
Além disso, o Programa de Educação Continuada (PEC) se tornou um dos principais pilares de qualificação do setor. Atualmente, o programa oferece:
- 702 cursos disponíveis
- Mais de 6 mil horas de conteúdo
- Cerca de 4 mil créditos gratuitos
O foco é garantir atualização técnica permanente em um mercado que muda rapidamente.
Perfil etário revela profissão jovem e em consolidação
Os dados também mostram que a assessoria de investimentos é uma carreira majoritariamente jovem:
- 18 a 25 anos: 10%
- 26 a 45 anos: 65%
- 46 a 55 anos: 16%
- Acima de 56 anos: 9%
A concentração na faixa entre 26 e 45 anos reforça o caráter de longo prazo da profissão e sua atratividade como carreira no mercado financeiro.
Evolução dos assessores de investimento no Brasil
- 2016: 4.565
- 2017: 5.178
- 2018: 6.634
- 2019: 9.604
- 2020: 12.784
- 2021: 17.010
- 2022: 21.913
- 2023: 24.931
- 2024: 26.648
- 2025: 27.515
Profissão reflete mudança estrutural do mercado
O avanço de 502% em dez anos não é apenas um dado estatístico. Ele reflete uma mudança estrutural no mercado financeiro brasileiro, com mais investidores, maior diversificação de produtos e crescente busca por orientação profissional.
Além disso, a tendência, segundo o setor, é que a assessoria de investimentos continue crescendo, acompanhando a digitalização, o envelhecimento da população investidora e a maior complexidade das decisões financeiras.