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A personalidade e o dinheiro

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A personalidade e o dinheiro

A psicologia chama de “Big Five”, os cinco fatores da personalidade humana. São eles: Abertura, Neuroticismo, Extroversão, Agradabilidade e Conscienciosidade. Um estudo publicado em 2017 pelo Banco de Compensações Internacionais, “Understanding the Determinants of Financial Outcomes and Choices: The Role of Noncognitive Abilities”, procura entender a ligação entre as habilidades não cognitivas, bem estar financeiro e a tomada de decisões financeiras.

Saiba o significado de cada um dos traços de personalidade:

Abertura – É configurada pelo interesse por novas experiências emocionais, pela aventura, por ideias incomuns, pela arte, pelo amplo uso da imaginação e alto grau de curiosidade e por uma grande variedade de experiências novas.

Neuroticismo – É a tendência para experienciar emoções negativas, como raiva, ansiedade ou depressão, as quais tendem a persistir por períodos invulgarmente longos.

Extroversão – É o traço pessoal caracterizado por emoções positivas e pela tendência para procurar estimulações, buscar a companhia das outras pessoas e pelo profundo envolvimento com o mundo exterior.

Agradabilidade – É a tendência a ser compassivo e cooperante em vez de suspicaz (suspeito) e antagonista face aos outros. Este traço reflete diferenças individuais na preocupação com a harmonia social. Indivíduos “amáveis” valorizam a boa relação com os outros.

Conscienciosidade – Ou escrupulosidade. É a tendência para mostrar autodisciplina, orientação para os deveres e para atingir os objetivos. Este traço mostra uma preferência pelo comportamento planejado em vez do espontâneo.

A primeira etapa do estudo utiliza exatamente o “framework” dos cinco grandes traços de personalidade para entender o comportamento das diversas personalidades e sua relação com o dinheiro e finanças. Dois traços em particular foram investigados:  a estabilidade emocional, que se refere à capacidade da pessoa se manter calma frente a situações de pressão e estresse, e a conscienciosidade, a qual descreve a tendência do indivíduo de ser organizado e disciplinado. Foi realizado um teste estatístico para entender a relação entre o fato de estar em dificuldade financeira e os traços de personalidade. Os resultados indicaram que as pessoas que se encontram nos escores dez por cento inferiores (decil mais baixo) para estabilidade emocional e conscienciosidade possuem 10% de probabilidade de sofrerem crises financeiras, enquanto o grupo com os escores máximos (decil mais alto) possui 2% de chance. Além disso, a cada aumento de uma unidade no desvio padrão do score de estabilidade emocional há uma queda de 0,5 ponto percentual na probabilidade de ocorrer uma instabilidade financeira.

O estudo também identificou que maiores graus de estabilidade emocional e conscienciosidade  estão relacionados de forma estatisticamente significativa à menor probabilidade de estar em grave crise financeira.  Observou-se que as duas habilidades não cognitivas estão inversamente relacionadas à chance de atrasar o pagamento de aluguel, hipoteca ou conta de consumo por três ou mais meses. Também estão inversamente associadas à possibilidade de dispor de quinhentos euros para imprevistos.

A pesquisa também busca entender o comportamento financeiro. Os efeitos marginais mostram uma relação positiva entre propensão à poupança e habilidades não cognitivas, enquanto apenas a conscienciosidade se associa diretamente com planejamento para aposentadoria. Além disso, aponta-se que as pessoas com o emocional mais vulnerável tendem a realizar mais compras por impulso e ter algum tipo de dívida sem garantia ou colateral.

A pesquisa também observou que as habilidades não cognitivas se relacionam com salário, emprego e saúde, influenciando, portanto, indiretamente o bem-estar financeiro por meio desses fatores.

Os resultados do estudo sugerem que indivíduos com baixo nível de habilidades não cognitivas encontram dificuldade em coletar e processar informações, dando valor à expertise de outras pessoas. Em outras palavras, pessoas emocionalmente instáveis provavelmente são mais propensas a procurar aconselhamento financeiro.

Dessa maneira, os pesquisadores argumentam que a formação das habilidades não cognitivas desde a infância é fator crucial para a formação financeira do indivíduo e, portanto, os programas escolares não deveriam focar somente em capacidades cognitivas. Essa mudança de foco poderia resultar em menor incidência de dificuldades financeiras nas famílias e diminuir a disparidade de distribuição de renda, já que uma das suas causas são as decisões financeiras equivocadas. Nesse sentido, políticas públicas que visam aliviar os efeitos das dívidas na população podem ter sua efetividade reduzida se a origem da inadimplência for gerada pelo baixo nível de habilidades não cognitivas.

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