Será grande, mas não 'global'

3R (RRP3): sinergia com Enauta é maior que com PetroReconcavo, diz analista

Enquanto as empresas negociavam a fusão, o Bradesco (BBDC4) se tornou o maior acionista da Enauta (ENAT3)

Foto: Divulgação
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“De alguma forma, a 3R acredita que as sinergias com a Enauta seriam maiores do que uma fusão com a PetroReconcavo, por exemplo”, disse o head de renda variável e sócio da A7 Capital, André Fernandes.

A fala de Fernandes se refere ao acordo selado entre a 3R Petroleum (RRP3) e a Enauta (ENAT3), anunciado na última sexta-feira (17). Com isso, a negociação representa o início de uma consolidação mais ampla da indústria de óleo e gás do Brasil.

O negócio foi avaliado em aproximadamente US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões). Desta forma, a 3R possuirá 53% da nova companhia, ao passo que os acionistas da Enauta possuirão o percentual remanescente.

“A relação de troca de ações, além disso, a combinação de 3R com a Enauta, cria uma companhia com capacidade de produção de 86 mil bpd para 2024 e 120 mil bpd em 2025, acima dos 70 mil bpd iniciais caso a combinação de negócios tivesse ocorrido com a PetroReconcavo”, comentou o especialista.

O consenso de especialistas de mercado ouvidos pelo BP Money pontuou que a operação é positiva e atrativa para o mercado.

Contudo, Pedro Afonso Gomes, presidente do CORECON-SP (Conselho Regional de Economia da 2ª Região), aponta que é necessário esperar a possibilidade de algum posicionamento do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

“É necessário aguardar a decisão do CADE sobre se deve haver algum tipo de restrição para a nova empresa, mas é possível supor que ela se tornaria a segunda maior operadora do país”, declarou Gomes.

Segundo ele, a empresa ficaria atrás somente da Petrobras (PETR4).

Fusão entre 3R e Enauta não deve gerar uma companhia global, diz analista

Para o analista da Levante Corp, João Abdouni, a junção dos negócios deve resultar em uma companhia forte, mas não uma “empresa global”.

“A companhia vai ficar com cerca de 100 a 120 mil barris por dia, o que é um porte considerado pequeno”, comentou Abdouni.

“A empresa passa por uma fase de transição com muitas melhorias operacionais em execução, como a chegada do FPSO Atlanta. Com isso, quem optar por investir na Nova 3R deve ter um horizonte de investimentos mínimo de 18 meses”, acrescentou.

Por outro lado, o gestor financeiro e especialista em investimento, Marlon Glaciano, destacou ser muito cedo para um guidance decorrente da fusão. Contudo, sinalizou pontos positivos da 3R.

“Embora seja cedo para fazer projeções precisas sobre os impactos dessa fusão, é importante notar que a 3R está em um processo de desalavancagem e enfrenta o desafio de implementar campanhas de redesenvolvimento bem-sucedidas em seus campos maduros”, disse Glaciano.

Segundo ele, o objetivo da movimentação é gerar um fluxo de caixa positivo. Contudo, vale lembrar que a maior parte dos projetos da companhia está em fase inicial e ainda não atingiu o potencial máximo de exploração.

Enquanto as empresas negociavam a fusão, o Bradesco se tornou o maior acionista da Enauta (ENAT3)

No início de abril de 2024, o Bradesco (BBDC4) se tornou o maior acionista da Enauta (ENAT3). O movimento ocorreu na mesma semana em que a empresa anunciou ter contratado a XP como assessor financeiro, enquanto ocorriam as negociações com a 3R.

Em mensagem enviada à Enauta, o Bradesco (BBDC4) declarou que: “além das ações ordinárias indicadas, não detém ou é titular de outros valores mobiliários de emissão da companhia ou de instrumentos financeiros derivativos referenciados às referidas ações”.

Na época, ao ser procurado pelo BP Money, o Bradesco não quis comentar o caso. Procurado novamente, o banco não se posicionou até o fechamento da matéria.